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Paralelismo – Uma questão de estilo textual

Redação

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Antes de tudo, reflitamos sobre a estrutura de um texto: parágrafos devidamente organizados e interligados entre si por meio de harmoniosa junção de elementos coesivos, ideias dispostas em uma dada sequência lógica, de modo a formar um “todo” coerente. Eis alguns dos elementos essenciais à perfeita compreensão de qualquer discurso.

Contudo, há que se mencionar acerca de alguns entraves que porventura tendem a surgir, implicando diretamente na falta dessa perfeição. Para sermos mais precisos, voltemos nosso foco para a última das considerações supracitadas, retratadas por “ideias dispostas em uma dada sequência lógica, de modo a formar um ‘todo’ coerente”. Esse todo deixa de ser coerente quando há a ruptura de similaridade entre os elementos textuais.

Ressaltemos, pois, as palavras de Othon M. Garcia proferidas em seu Comunicação em Prosa Moderna, as quais ele revela sobre tal ruptura:

“Se coordenação é, como vimos, um processo de encadeamento de valores sintáticos idênticos, é justo presumir que quaisquer elementos da frase – sejam orações, sejam termos dela–, coordenados entre si, devam – em princípio, pelo menos – apresentar estrutura gramatical idêntica, pois –como, aliás, ensina a gramática de Chomsky – não se podem coordenar frases que não comportem constituintes do mesmo tipo. Em outras palavras: as ideias similares devem corresponder forma verbal similar. Isso é o que se costuma chamar paralelismo ou simetria de construção”.

Diante de tais pressupostos, podemos dizer que o paralelismo se caracteriza pelas relações de semelhança entre palavras e expressões, materializadas por meio do campo morfológico (quando as palavras pertencem a uma mesma classe gramatical), sintático (quando as construções das frases ou orações são semelhantes) e semântico (quando há correspondência de sentido).

De forma a constatá-los, analisemos os casos nos quais se detecta a falta de paralelismo de ordem morfológica:

Sua saída se deve a mágoas, humilhações, ressentimentos e a agressores que tanto pretendiam ocupar seu cargo dentro da empresa.

Constatamos que há uma ruptura de ordem morfológica, evidenciada pela troca de um substantivo por um adjetivo, ou seja, o termo “agressores” em detrimento a “agressões”. Portanto, o discurso carece de uma reformulação, evidenciada por:

Sua saída se deve a mágoas, humilhações, ressentimentos e a agressões por parte daqueles que tanto pretendiam ocupar seu cargo dentro da empresa.

No campo sintático:

A preservação do meio ambiente representa não só um dever de cidadania e é para que o planeta sobreviva.

Aqui, o correto seria utilizarmos a conjunção aditiva “mas também” em vez do conectivo “e”, visto que o discurso revela a ideia de adição no que se refere às consequências oriundas de tais ações. Assim, a mensagem se evidenciaria da seguinte forma:

A preservação do meio ambiente representa não só um dever de cidadania, mas também contribui para que o planeta sobreviva.

No campo semântico:

Há um trecho retirado da obra machadiana, retratado por: Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis.
Mesmo sabendo das reais intenções do autor, Machado de Assis, detectamos uma quebra de sentido em relação ao tempo, uma vez que para ironizar o interesse de Marcela, ele introduz outra ideia, desta vez relacionada não mais à noção de tempo, mas à quantidade propriamente dita.

Baseados em tais conhecimentos, partamos para conferir alguns casos representativos de paralelismo.

quanto mais...tanto mais.

Atualmente, quanto mais nos qualificamos, (tanto) mais conseguimos uma boa colocação no mercado de trabalho.

Ambas as estruturas paralelísticas foram utilizadas no sentido de indicar uma progressão entre os termos constituintes.


seja... seja; quer...quer; ora...ora.

Cuide sempre de suas atitudes, seja em casa, seja no trabalho.

Quer queiras, quer não, terás de aproveitar essa oportunidade.

Constatamos que o paralelismo se deveu à noção de alternância (primeiro exemplo), como também à de posição (segundo exemplo).


não... e não/nem.

Não conseguimos viajar nesse ano, nem no anterior.

Tal recurso é utilizado na intenção de enfatizar uma sequência de ações negativas.


por um lado..., por outro.

Se por um lado agradou aos convidados, por outro desagradou à família.

Constata-se que o emprego das estruturas paralelísticas foi na intenção de estabelecer uma comparação, aludindo a aspectos negativos e positivos mediante uma ação.

tanto...quanto.

A despedida é extremamente ruim, tanto para quem parte, quanto para quem fica.

Identificamos que as estruturas introduzem tanto a ideia de adição quanto de equiparação ou equivalência.


Tempos verbais.

Se todos comparecessem, haveria mais cooperação.

Se todos comparecerem, haverá mais cooperação.

Inferimos que o emprego do pretérito imperfeito do subjuntivo (comparecessem) se adéqua ao futuro do pretérito do indicativo (haveria), bem como o futuro do subjuntivo se adéqua ao futuro do presente.

 
Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola
 

 

Redação - Brasil Escola

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  • Laura sábado | 22/03/2014 15:14Hs
    Muito bom
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