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A busca pelas palavras corretas – “uma luta vã?”

Redação

Ainda que considerada uma luta vã, segundo Drummond, a busca pelas palavras corretas é fundamental ao discurso.

O subtítulo que compõe este artigo, demarcado de forma intencional, obviamente, remete-nos aos dizeres do imortal Carlos Drummond de Andrade, a quem nos faltam “literalmente” palavras para nos referirmos. Assim, em uma de suas magníficas criações, intitulada “O lutador”, deixou-nos registrado algo neste sentido:

“Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.”
[...]

Ao mesmo tempo em que ele afirma ser essa luta um vão embate, reafirma, categoricamente, que não devemos deixar o campo de batalha, ainda que encontremos pela frente alguns “javalis”, metaforicamente dizendo. Indo mais adiante, esse grande mestre nos faz crer que, apesar de sermos poucos, e elas, diversas, não podemos nos render, devemos continuar “lutando”. Não neguemos nunca a condição em que se colocou o autor ao citar que, “num dia de vida”, ele aparece para “apanhar algumas”, haja vista que, sentindo saciedade de fome, ele sobrevive, digamos assim, de se alimentar das próprias palavras para construir seu discurso poético.

Dessa forma, caro (a) usuário (a), nada há de extraordinário e incomum em nos sentirmos como poetas e poetisas para, também, construirmos nossos discursos cotidianos, apesar de essa tarefa ser realmente uma luta. No entanto, enquanto seres eminentemente sociais, participamos da vida em comum por meio das interações linguísticas que estabelecemos diariamente, sempre levando em consideração que para cada finalidade comunicativa existe um posicionamento específico.

Nesse sentido, compreender acerca desse posicionamento é, sobretudo, conscientizar-se de que limitações existem e devem ser entendidas não como um obstáculo, mas como algo a ser apreendido e colocado em prática, sempre. Limitações essas, no sentido de que, para cada enunciação, devemos agir de modo específico, ou seja, a depender do que desejamos dizer, para quem desejamos nos expressar e por que assim o fazemos, há posicionamentos distintos, osquais podem sercomparados a cada roupa que escolhemos, uma para cada situação, ou seja, desde aquele terno, formalíssimo por sinal, até  o chinelinho de dedos, acompanhado da bermuda e da camiseta, bem ao estilo despojado de ser.  Não usaríamos o mesmo discurso em uma redação empresarial, em uma entrevista de emprego, caso estivéssemos reunidos em uma mesa de bar, por exemplo. Não falaríamos a uma criança da mesma maneira como conversaríamos com nossos superiores, sobretudo com aqueles que não temos a menor intimidade.

Fazermos a escolha correta das palavras é detectarmos o modo como se dá a relação enunciador x enunciatário, como num discurso publicitário, numa campanha, num bate-papo na internet ou até mesmo num artigo científico. Ou seja, a finalidade a qual o emissor se dispõe mediante o discurso que constrói é requisito fundamental para fazer bom uso das escolhas lexicais.  Claro, que, consoante a tais pressupostos, a bagagem ideológica, a bagagem cultural e a bagagem relacionada à visão de mundo, propriamente dita, são, sem dúvida, relevantes, decisivas.


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

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