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Cádmio em bijuterias

Química

Um carregamento vindo da China foi apreendido e descobriu-se que havia grande quantidade de cádmio em bijuterias. A Anvisa disse que não havia perigo iminente ou agudo.

No início do mês de novembro de 2013 uma carga de 16 toneladas de bijuterias vinda da China foi interceptada pelo Sistema de Risco Aduaneiro da Receita Federal no Porto do Rio de Janeiro com a suspeita de fraude fiscal, isto é, que os importadores teriam declarado um valor menor do que realmente era. Porém, o que se acabou descobrindo foi algo que trouxe grande repercussão na mídia nacional e que deixou várias mulheres em alerta. Visto que a Receita Federal encomendou testes para verificar os valores estimados dessas peças, descobriu-se que na constituição das bijuterias havia níveis altíssimos de cádmio.

Carregamento de bijuterias da China é apreendido e contém altos níveis de cádmio
Carregamento de bijuterias da China é apreendido e contém altos níveis de cádmio

Esse fato gerou grande preocupação por parte da população porque o cádmio é um metal pesado (nome genérico usado para designar todo metal com densidade superior a 6 g/cm3) que traz riscos à saúde, bem como gera poluição ambiental. O texto “Cádmio” traz mais detalhes sobre esse metal, mas, basicamente, ele é um elemento químico de número atômico igual a 48 e massa atômica igual a 112,4 u, sendo sólido em condições ambientes.

O cádmio é empregado principalmente em pilhas e baterias, como as de níquel-cádmio, que são empregadas em aparelhos sem fio, como telefones, barbeadores, ferramentas e câmaras de vídeo. O descarte inadequado dessas pilhas e baterias no meio ambiente gera grande poluição de águas de rios, lagos, lençóis freáticos e de solos, além de poder contaminar alimentos, como hortaliças, verduras e peixes. Além disso, o cádmio também pode ser encontrado em plásticos, ligas metálicas, pigmentos, papeis, soldas, circuitos integrados e em resíduos de galvanoplastia.

Ele está naturalmente presente em jazidas na natureza e na queima dos combustíveis fósseis, mas é altamente tóxico mesmo em pequenas quantidades, além de ser bioacumulativo (acumula-se progressivamente na cadeia alimentar e não é eliminado com o tempo). Sua contaminação ocorre por absorção cutânea (pode ser absorvido pela pele), inalação e ingestão.

Assim, o risco maior é para as crianças que possuem a tendência de inserir as bijuterias e outros objetos na boca, para pessoas que tenham algum corte na pele e para quem usa piercings que contenham cádmio, principalmente se for na língua.

Crianças com bijuterias são as mais propensas à ingestão de maiores quantidades de cádmio
Crianças com bijuterias são as mais propensas à ingestão de maiores quantidade
s de cádmio

Entre os riscos que o cádmio traz à saúde, estão:

* Disfunção renal (o rim é o órgão mais prejudicado, pois o cádmio acumula-se nele);

* Problemas pulmonares;

* Dores reumáticas e miálgicas;

* Distúrbios metabólicos levando à osteoporose;

* É um agente cancerígeno, pois é capaz de provocar mutações genéticas, alterando a função das células e causando danos ao sistema genital.

Por essa razão, em 2011, os Estados Unidos regulamentaram que a presença de cádmio nas bijuterias não deve ultrapassar o limite de 0,03%. Na Europa, esse valor é menor, sendo de 0,01%. Para se ter uma ideia, as amostras de bijuterias analisadas contêm concentrações de cádmio que variam de 32,6 % a 39,2%.

O Brasil, por outro lado, não possui qualquer norma ou regulamentação sobre o assunto. Por isso, depois de analisar o laudo do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) sobre a presença de cádmio nessa carga vinda da China, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) realizaram uma reunião conjunta, no dia 22 de novembro, para avaliar os fatores envolvidos.

Os detalhes levados em consideração e a conclusão sobre o assunto podem ser verificados na Nota conjunta da Anvisa e Senacon sobre cádmio em bijuterias da China que foi lançada no mesmo dia. Mas, resumidamente, foi notificado que tais bijuterias não apresentam risco iminente e nem agudo aos usuários e que, por isso, não será realizado recall.

Porém, a carga mencionada permanecerá apreendida até o término de mais estudos. No dia 27 de novembro, esses dois órgãos, juntamente ao Inmetro e ao Ministério da Saúde, compondo o Grupo de Consumo Seguro e Saúde, irão se reunir para elaborar estudos e uma regulamentação para a presença de cádmio em bijuterias.


Por Jennifer Fogaça
Graduada em Química

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