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Compulsão Alimentar: um transtorno ainda em discussão

Psicologia

O transtorno de compulsão alimentar periódica é um diagnóstico, ainda que pouco especificado, aplicado a casos em que ocorrem episódios recorrentes de ingestão exagerada de alimentos.

O que é compulsão alimentar?

A compulsão alimentar é caracterizada pela ingestão exagerada de alimentos, perda de controle sobre o que está sendo ingerido e em que quantidade. A caracterização mais importante da compulsão alimentar é que o ato de ingerir alimentos é, na maioria das vezes, independente da sensação de fome ou da necessidade física, ou seja, a pessoa que tem episódios de compulsão alimentar não necessariamente está com muita fome ou está há muito tempo sem comer. Algumas pessoas, inclusive, podem se sentir mal por tamanha ingestão de alimentos.
A compulsão alimentar pode ser diagnosticada em pessoas de diferentes faixas etárias, classes sociais e de ambos os sexos. Sua principal consequência é o aumento de peso, que acaba por se tornar prejudicial em outras dimensões da saúde do indivíduo.

Compulsão alimentar é doença?

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico das Perturbações Mentais (DSM-IV-TR), a compulsão alimentar pode ser compreendida como transtorno quando ocorrem episódios frequentes (pelo menos duas vezes por semana) e quando esse comportamento se prolonga por um período específico (6 meses). Além disso, para ser caracterizado como Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica, esse comportamento deve necessariamente estar acompanhado de outros, como perda de controle e não pode estar associado a comportamentos compensatórios para perder peso, o que, no caso, configuraria um quadro de bulimia.
Para alguns autores, a compulsão alimentar seria um componente da Bulimia, para outros, a diferença entre o Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica e a Bulimia é justamente: enquanto no segundo após a grande ingestão de alimentos o sujeito imprime um esforço para perder peso e compensar a quantidade ingerida, no primeiro isso não acontece. Vale ressaltar que esse transtorno não é considerado como um diagnóstico fechado. Segundo o DSM-IV-TR, é um transtorno ainda não especificado, que demanda novas pesquisas.

Quais podem ser as causas?

Não se pode falar em causas absolutas no caso de transtornos como os de Compulsão Alimentar. Inúmeros fatores podem influenciar na relação que estabelecemos com a alimentação: fatores genéticos como quadros depressivo-ansiosos na família, fatores socioculturais como a valorização de um padrão de estética corporal aliado à culpabilização do sujeito fora de forma, entre outros.
Assim, podemos dizer que a relação com a alimentação é construída ao longo da vida, com influências genéticas, sociais, educacionais e culturais. Assim também é a relação de cobrança com relação à aparência e ao controle alimentar. Não se pode, portanto, restringir a causa do Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica a um aspecto somente, pelo contrário, elementos diversos devem ser levados em consideração no processo diagnóstico.

Como pode ser feito o diagnóstico?

Alguns sinais podem ser observados no sentido de indicar que o hábito alimentar de uma pessoa demanda atenção. Entre eles, podemos citar:

- Grandes ingestões de alimento, mesmo quando não há fome ou quando, mesmo satisfeito, o sujeito continua a ingerir alimentos.
- Hábitos alimentares dissimulados (quando o sujeito esconde comida, por exemplo).
- Incapacidade em sentir-se saciada, mesmo depois da ingestão de grande quantidade de alimentos.
- Apego por embalagens de alimentos vazias.
- Alimentação vinculada à condição psicológica (ansiedade e depressão).
- Descontentamento constante com relação ao próprio corpo.

Como discutimos, o diagnóstico ainda é complicado, inclusive para profissionais. Atentar a esses comportamentos pode apenas revelar a necessidade de acompanhamento psicológico para auxílio na solução do problema.

Quais são os tratamentos?

Como em grande parte dos casos, a compulsão alimentar está associada à condição psicológica, os tratamentos indicados são acompanhamento psicológico, aconselhamento dietético e, se necessário, psiquiátrico e farmacêutico, voltados para o controle da ansiedade. Alguns antidepressivos têm sido utilizados no tratamento da compulsão alimentar como inibidores seletivos da recaptação da serotonina (fluoxetina, sertralina, citalopram).
Todavia, o tratamento não pode ser resumido à medicação, já que, pensar o tratamento nesses casos é um movimento multidisciplinar, onde os esforços se unem no sentido de melhorar a relação que o indivíduo tem com o alimento e as formas que encontra de lidar com as frustrações e ansiedades.

Juliana Spinelli Ferrari
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em psicologia pela UNESP - Universidade Estadual Paulista
Curso de psicoterapia breve pela FUNDEB - Fundação para o Desenvolvimento de Bauru
Mestranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP - Universidade de São Paulo

DEIXE SEU COMENTÁRIO
  • Ana Carolina Kilppdomingo | 02/02/2014 00:38Hs
    Muito interessante!
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