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Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa nasceu em Cotisburgo (MG) em 1908 e faleceu em 1967 no Rio de Janeiro. Formou-se em Medicina e exerceu a profissão até 1934, quando ingressa na carreira diplomática, servindo na Alemanha, Colômbia e França. Em 1963, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, adiando a posse até 1967. Morreu neste ano três dias depois da solenidade de posse, vítima de um colapso cardíaco.

OBRAS:

Conto: Sagarana (1946); Primeiras estórias (1962); Tutaméia: terceiras estórias (1967); Estas estórias (1969) - publicação póstuma.
Novela: Corpo de baile (1956) - publicado posteriormente em três volumes: Manuelzão e Minguilim; No urubuquaquá, no Pinhém; Noites do sertão.
Romance: Grande Sertão: veredas (1956).
Diversos: Com vaqueiro Mariano (1952); Ave, palavra (1970) - publicação póstuma; O ministério dos MMM (em colaboração).

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

Embora de caráter regionalista, a obra de Guimarães Rosa supera o regionalismo tradicional, que ora idealizava o sertanejo, ora se comprazia com aspectos meramente pitorescos, com o realismo documental ou com a transcrição da linguagem popular e coloquial.
Essa superação deve-se à riqueza de sua linguagem e ao caráter universal das questões morais e metafísicas presentes em sua obra.

Criando um estilo absolutamente novo na ficção brasileira, Guimarães Rosa estiliza o linguajar sertanejo, recria e inventa palavras, mescla arcaísmos com vocábulos eruditos, populares e modernos, combina de maneira original as palavras, prefixos e sufixos, constrói uma sintaxe peculiar e explora as possibilidades sonoras da linguagem, através de aliterações, onomatopéias, hiatos, ecos, homofonias etc.
No cerne dessa linguagem nova, na qual prosa e poesia confundem-se, estão as indagações universais do homem: o sentido da vida e da morte, a existência ou não de Deus e do diabo, o significado do amor, do ódio, da ambição etc.

A exemplo de Guimarães Rosa, Clarice Lispector teve grande destaque na terceira fase do Modernismo brasileiro. Em sua obra, encontramos mudanças significativas na prosa brasileira; mudanças essas que se verificam tanto ao nível da construção como ao nível da temática. No que se refere à construção narrativa, observamos o predomínio da introspecção, o rompimento com a linearidade episódica, que se fragmenta em sua estrutura, a valorização dos aspectos psicológicos das personagens em detrimento das ações e a opção pelo fluxo de consciência como elemento norteador do processo narrativo. Quanto à temática, esta apresenta-se profundamente marcada pelo existencialismo, questionando sempre o “estar no mundo” e o sentido da existência e focalizando a solidão do homem e sua angustiante dualidade entre uma existência autêntica ou inautêntica.

Escritores - Literatura - Brasil Escola

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