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Blenorragia

É uma doença sexualmente transmissível (DST), conhecida também como gonorréia ou uretrite gonocócica, causada pelo diplococo Neisseria gonorrheae ou gonococo de Neisser. A incidência da doença é maior nos indivíduos jovens (entre 15 e 30 anos), sexualmente ativos e sem parceiro fixo. Consiste num dos tipos mais freqüentes de uretrite masculina, atingindo todas as raças humanas.
Há uma variação individual considerável quanto à resistência à doença: alguns indivíduos são muito resistentes, outros incrivelmente suscetíveis.
A transmissão não-venérea é responsável por duas formas especiais de infecção gonocócica: oftalmia gonocócia neonatal e vulvovaginite aguda, em meninas. Todos os hospitais têm uma rotina obrigatória: pingam-se duas gotas de uma solução de nitrato de prata nos olhos de todas as crianças recém-nascidas. Este procedimento é conhecido como método de Credé e previne a afecção blenorrágica dos olhos do bebê, em caso de a mãe ser portadora de blenorragia.
Contaminados os olhos da criança, ocorre uma inflamação que incha as pálpebras tornando impossível o movimento espontâneo. Com a fase purulenta, aparecem ulcerações na córnea, extravasamento de líquidos e, finalmente, a cegueira.

Sintomatologia

Tanto no homem quanto na mulher, os sintomas surgem de 3 a 9 dias depois do contágio. Na mulher, na maioria das vezes, ela não sabe que contraiu a doença. De cada cinco mulheres infectadas, quatro não apresentam nenhum sintoma. No homem, o primeiro sintoma é a queimação ao urinar, decorrente da inflamação da uretra, seguido de um corrimento amarelado, cada vez mais abundante, acompanhado de prurido uretral.
Com a progressão da infecção, ocorrem freqüentemente ereções dolorosas, eliminação de sangue na urina e dores na evacuação.
Inicialmente a infecção se localiza na uretra, daí se propagando a outros órgãos do sistema urinário e genital, ocasionando graves complicações, em casos negligenciados.
No homem, poderão ocorrer infecções secundárias na próstata, nas vesículas seminais, no epidídimo e raramente nos testículos, dando origem à supuração crônica persistente e de localização profunda. Há formação de abscessos e destruição dos tecidos, levando à estenose uretral e à esterilidade permanente.
Na mulher, poderá acontecer infecção das tubas uterinas (salpingite), fechando o orifício abdominal ou tornando-se aderente ao ovário. Com a progressão, poderá causar doença inflamatória pélvica (DIP), levando à esterilidade. Além da localização geniturinária, pode o gonococo implantar-se no reto (proctite), na conjuntiva ocular, nas articulações (artrite gonocócica), no endocárdio (endocardite) e nas meninges (meningite).
Como os sintomas da blenorragia na mulher são pouco aparentes, principalmente na forma crônica, o médico freqüentemente terá de determinar um exame microscópico da secreção vaginal, denominado bacterioscopia do corrimento.

Profilaxia

Na prevenção, são importantes a higiene e o uso de preservativos. A ausência de sintomas, principalmente nas mulheres (70 a 80% dos casos), torna muito difícil o controle da doença. No tratamento, em geral, doses altas de penincilina. A doença não cria imunidade, daí serem possíveis reinfecções.

Importante: nem todo corrimento é sintoma de doença transmitida pelo ato sexual. Corrimento é comum em todas as mulheres, e só o médico poderá fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento mais adequado.

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