Brasil Escola

Modernismo

As correntes modernistas

Depois da união inicial em torno da Semana, os modernistas dividiram-se em grupos e movimentos que refletiam orientações estéticas e ideológicas diversas:

1. Movimento Pau-brasil:

Lançado em 1924, com a publicação do Manifesto da Poesia Pau-brasil, faziam parte do movimento Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Raul Bopp, Alcântara Machado e Tarsila do Amaral. Tinha como objetivo a revalorização dos elementos primitivos da nossa cultura, através da crítica ao falso nacionalismo e da valorização de obras que redescobrissem o Brasil, seus costumes, seus habitantes e suas paisagens.

2. Movimento Verde-amarelo:

Liderado por Plínio Salgado, Cassiano Ricardo e Menotti del Picchia, e tendo uma postura nacionalista, repudiava tudo que fosse importado e tentava mostrar um Brasil grandioso. Entretanto, por revelar uma visão reacionária, sobretudo através de Plínio Salgado, que viria a ser um dos principais líderes do Integralismo, movimento político brasileiro de extrema-direita baseado nos moldes fascistas.

3. Movimento Antropofágico:

Radicalização das idéias do Pau-brasil, foi lançado em 1928, com a publicação do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. Participaram do movimento, além de Oswald, Tarsila do Amaral, Raul Bopp, Alcântara Machado e outros. Esse movimento opunha-se ao conservadorismo do Movimento Verde-amarelo (ou escola da Anta).
Várias foram as revistas de divulgação das idéias desses movimentos:
Revista Klaxon (nome dado à buzina externa dos carros): publicada em 1922, teve nove números, sendo a primeira revista de divulgação de trabalhos e idéias dos modernistas.
Revista Terra Roxa e Outras terras: publicada em 1926, com a participação de Mário de Andrade e Oswald de Andrade.
Revista de Antropofagia: publicada em 1928, foi o órgão de divulgação do Movimento Antropofágico.
Além dessas, surge em 1925, em Belo Horizonte, A Revista, com editorial redigido por Carlos Drummond de Andrade. No Rio de Janeiro, não ocorreram na época rupturas acentuadas, e a revista Festa, publicada em 1927, antes de refletir uma visão modernista, expressava a sobrevivência do espiritualismo simbolista. Dela participaram, entre outros, Tasso da Silveira, Cecília Meireles e Jackson Figueiredo, este último chefe da censura do governo de Artur Bernardes, que governou o país sob estado de sítio.

No período compreendido entre 1930 e 1945, as obras dos poetas da primeira fase atingem a sua maturidade. Nessa fase também se consolida a corrente regionalista da literatura brasileira.
Ao contrário do Modernismo paulista, voltado para o futuro e aberto a toda forma de renovação, o regionalismo de 30 mostrou-se conservador, voltado para as tradições nordestinas, seus valores culturais e morais. Mais preocupado com uma razão sociológica da realidade do que com a renovação da linguagem narrativa, o regionalismo de 30 foi um veículo de denúncia dos problemas sociais do Nordeste.

POESIA

Os poetas que aparecem no início da década de 30 já semeavam num campo preparado pela geração de 22. Esta rompera com o academicismo e renovara a linguagem e o estilo, incorporara o verso livre, o prosaico e o cotidiano. A geração de 30, despreocupada com as questões imediatas de 22 (o nacionalismo, o folclore, a destruição dos esquemas do passado etc.), voltava-se para as questões sociais do homem, o “desconcerto do mundo” e os problemas da sociedade capitalista.

É o que se dá, por exemplo, na poesia de Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes e Jorge de Lima. Em Vinícius de Morais e Cecília Meireles, a temática universalizante também estará presente, embora suplantada por uma poesia personalista. Por outro lado, alguns dos mais importantes poetas de 30, entre eles Murilo Mendes, Jorge de Lima e Cecília Meireles, incorporariam a religiosidade e o misticismo em seus poemas.
Finalmente, é preciso observar que a geração de 30 não processou uma mudança repentina e tampouco limita-se àquele período. Os poetas de 22, aos de 30, e alguns desses também continuariam produzindo e se renovando até os nossos dias.

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