O homem, alimentado pelo desejo de conhecimento e de conquista, sempre procurou chegar onde seus pés não estavam, ver o que seus olhos não viam, estar em espaços para onde sua imaginação conduzia.
Por essa razão o homem realizou grandes conquistas, duas são particularmente importantes:
_ a conquista dos mares (séculos XV e XVI)
_ a conquista do espaço (século XX)
Na época do humanismo houve fatos importantes, anunciando a chegada de uma nova postura do homem frente à realidade.
No século XVI (início da Idade Moderna), presenciamos a configuração de uma sociedade política, econômica, social e culturalmente modificada.
Politicamente, as monarquias tornaram-se superiores aos senhores feudais. O rei, aliado aos interesses da burguesia, conquista a sua soberania. Dessa aliança burguesia-realeza forma-se o Estado moderno, e o monarca passa, então, a decretar as leis, exercer justiça, arrecadar impostos, manter um exército nacional permanente. Estava formado o sistema conhecido como o Antigo Regime.
As relações econômicas na Europa sofreram profundas alterações no momento em que o homem aventura-se pelo oceano Atlântico, procurando atingir as fabulosas fontes do comércio oriental.
Para conseguir tal desafio o homem desenvolveu a bússola e o astrolábio, instrumentos trazidos do Oriente pelo europeu, são aperfeiçoados; é inventada uma nova forma de embarcação, a caravela, que permitiu ao homem percorrer grandes distâncias marítimas.
Para que tudo fosse possível foi preciso muito dinheiro. A burguesia financia as Grandes Navegações, pois havia interesse em desenvolver o comércio e conseguir privilégios com o rei.
As ciências exatas e naturais desenvolvem-se e teorias fundamentais para a evolução científica do homem são descobertas e comprovadas. Na astronomia, Nicolau Copérnico (1473-1543), que comprovou a teoria heliocêntrica, e Galileu Galilei (1564-1642), que descobriu os anéis de Saturno, os satélites de Júpiter e comprovou a lei da aceleração da queda dos corpos.
A Igreja Católica passará neste período por um processo de transformação, originando a Reforma.
Toda transformação política, econômica e social no século XVI influiu no homem da época.
Os artistas e cientistas trazem de volta o modo de pensar e as formas estéticas dos gregos e dos romanos como modelos a serem seguidos. Suas idéias iam ao encontro das necessidades do homem do início da Idade Moderna, por buscar os interesses terrenos, o individualismo, a glorificação do homem e do natural em oposição ao divino e ao extraterreno. Assim, acontece a supervalorização-antropocentrismo, - em contraste com a supervalorização de Deus, característica do teocentrismo medieval.
Neste período o importante era a capacidade de usar a razão para descobrir e conhecer o próprio homem e um mundo cheio de desafios e interrogações.
Na literatura tal atitude é manifestada à medida que se prende à rigidez formal dos modelos clássicos e passa a produzir poemas líricos que abordam os sentimentos na sua forma mais universal possível.
A Igreja Católica é questionada e a mitologia pagã entra em cena nas várias manifestações artísticas: pintura, escultura e literatura.
Os deuses gregos e latinos, por serem verdadeiros heróis, fortes, destemidos, e ao mesmo tempo, cheios de vícios e virtudes, mais próximos, portanto, dos humanos, têm lugar relevante na produção artística do período.
A essa transformação no âmbito cultural, historicamente, dá-se o nome de Renascimento ou Renascença. Em literatura, o estilo de época desse momento recebe o nome de Classicismo.
O marco cronológico do início do Classicismo em Portugal se dá no ano de 1527, data do regresso do escritor Sá de Miranda, que, depois de permanecer seis anos na Itália, leva para Portugal as novas concepções de arte, assim como uma proposta de renovação da poesia: a medida nova (versos decassílabos), além de formas poéticas como o soneto (composição de quatorze versos, divididos em dois quartetos e dois tercetos), a elegia (composição de inspiração de tristeza e de luto), a écloga (composição que diz respeito a temas ligados à vida no campo), a ode (composição de exaltação).
A novela de
cavalaria, tão apreciada nos movimentos literários anteriores, encontra seus últimos leitores em Portugal. Nesse período, destaca-se a novela sentimental Menina e moça, de Bernardim Ribeiro.
O escritor mais representativo do Classicismo português é Luís de Camões.
LUÍS VAZ DE CAMÕES (1525-1580)
Dúvidas e hipóteses cercam até hoje a vida de Camões. Nasceu provavelmente em Lisboa, por volta de 1525. Estudou em Coimbra, no convento de Santa Cruz. Freqüenta os serões do Paço Real e a vida boêmia de Lisboa, envolvendo-se com brigas e prostitutas. Talvez desterrado por causa de amores que arrumara no paço, parte para a luta contra os mouros, em Ceuta, onde, em combate, perde a vista direita.
Retorna a Lisboa. É preso por envolver-se em brigas.Viaja ao Oriente, a serviço do império. É nomeado, em 15569, provedor dos bens de defuntos e ausentes em Macau, na China. Acusado de prevaricador no desempenho do cargo, volta a Goa, sob prisão. Durante essa viagem, naufraga na foz do rio Mecon (Indochina). Nesse naufrágio, perde sua companheira chinesa, mas consegue salvar a nado, numa das mãos, os manuscritos de Os Lusíadas.
Retorna a Lisboa em 1570, paupérrimo. Publica, em 1572, Os Lusíadas. Leva uma vida miserável em Lisboa, apesar de uma pensão anual de 15 mil-réis, fornecida por D.Sebastião. Morre em 1580, em extrema miséria.
Considerado o maior poeta português do Classicismo e um dos maiores de toda a literatura em língua portuguesa, Camões “viveu tão intensamente o seu tempo, que se lhe tornou um símbolo acabado” (Massaud Moisés, Lírica).
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