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Antártida

Situada quase totalmente no interior do círculo polar austral, a Antártida é contornada pelo oceano Antártico. O lado oriental é formado por um extenso planalto, recoberto por uma camada de gelo -- inlandsis --, cuja espessura às vezes ultrapassa dois mil metros. O subcontinente ocidental é constituído por uma série de ilhas, também cobertas de gelo, que se prolonga mar adentro, formando a península antártica.

Quase todo o território da Antártica está coberto por essa espessa camada, que representa um volume de trinta milhões de quilômetros cúbicos, equivalente a noventa por cento dos gelos terrestres. A cordilheira Transantártica, situada no limite entre os setores oriental e ocidental, possui elevações com mais de quatro mil metros de altura. O monte Vinson, com cerca de 5.140m, é o ponto culminante do continente. Há na Antártica vários vulcões, como o Erebus, com 3.800m. A península antártica, também chamada de península de Palmer, terra de Graham ou terra de O`Higgins, é território de disputa entre o Reino Unido, a Argentina e o Chile. Trata-se de uma região montanhosa de 1.300km, cujo ponto culminante é o monte Jackson, com 4.191m.

Um frio intenso e seco domina a maior parte do continente durante todo o ano, com temperaturas abaixo de 0º C. Na península antártica e em algumas áreas litorâneas, as temperaturas são mais elevadas, chegando a alcançar 15º C no verão. A cobertura vegetal, muito pobre, é constituída em sua maior parte por liquens, algas, fungos e musgos.

A ave característica da região é o pingüim, que habita em numerosos bandos as ilhas subantárticas e o continente, onde formam colônias. Outras espécies de aves são o corvo-marinho, a andorinha-do-mar, gaivotas, albatrozes e patos. Os mamíferos marinhos característicos são o elefante-marinho e várias espécies de foca e de baleia, entre elas a baleia-azul, o maior animal do mundo. A pesca do krill e do bacalhau tem importância econômica e é regulamentada. O petróleo, encontrado em lençóis submarinos, é praticamente o único recurso mineral da Antártica que pode ser satisfatoriamente explorado.

O Brasil aderiu ao Tratado da Antártica em 1975. No início da década de 1980 inaugurou a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), cujo nome é uma homenagem ao capitão-de-fragata Luís Antônio de Carvalho Ferraz, oceanógrafo da Marinha do Brasil. A estação logo iniciou suas atividades científicas e o Brasil passou a fazer parte do Comitê Consultivo do Tratado Antártico, juntamente com outros 25 países, entre eles Argentina, Chile, Equador, Peru e Uruguai. A EACF, instalada na ilha Rei George, baía do Almirantado, no arquipélago das Shetland do Sul, conta com mais de sessenta módulos, divididos em alojamentos, laboratórios, biblioteca, enfermaria, cozinha, armazéns, oficinas e um pequeno ginásio de esportes. Até 1994, o transporte de quase todo o material e combustível para a EACF foi feito pelo navio de apoio oceanográfico Barão de Teffé, com apoio logístico de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). A partir de novembro de 1994, o Barão de Teffé foi substituído pelo navio de apoio oceanográfico Ary Rongel.

A partir de 1991, os projetos brasileiros de pesquisa na Antártica passaram a ser financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). Sua aprovação é submetida a um grupo de assessoramento formado por representantes da comunidade científica e da Marinha. O PROANTAR divide-se em seis programas: física e química da atmosfera; relações solar-terrestres e astrofísica; ciências da vida; ciências da terra; geofísica da terra sólida; logística. As diretrizes políticas que regulam as atividades brasileiras na Antártica são traçadas pelo Comitê Nacional para Estudos Antárticos (CONANTAR), que é presidido pelo ministro das Relações Exteriores e assessorado pelo Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas (CNPA). O CONANTAR tem a função de assessorar o presidente da República na formulação e execução da Política Nacional para Assuntos Antárticos (POLANTAR).

A POLANTAR é composta por representantes dos ministérios das Relações Exteriores, Marinha, Exército, Aeronáutica, Fazenda, Educação, Planejamento e Agricultura; do Estado Maior das Forças Armadas; das secretarias de Assuntos Estratégicos e de Ciência e Tecnologia; e da Academia Brasileira de Ciências. Seus objetivos são possibilitar a participação do Brasil nos atos internacionais e instituições que compõem o sistema do Tratado da Antártica, bem como na exploração e aproveitamento dos recursos marinhos e minerais da região; motivar a formação e aperfeiçoamento no Brasil de pessoal especializado em assuntos antárticos; obter dados técnicos e científicos, principalmente sobre fenômenos que se façam sentir na costa ou no território brasileiro; e propiciar a ampliação e prosseguimento do PROANTAR.

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