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Venezuela 2

Inaugurou-se um período de agitação política, com as chamadas guerras federalistas (1858-1863) -- conservadores centralistas contra liberais federalistas. O general Páez retornou em 1861 e restaurou a hegemonia conservadora por dois anos, mas foi derrotado em 1863 pelas forças federalistas do general Juan Falcón. A constituição de 1864 incorporou as idéias federalistas, mas o governo de Falcón não foi bem-sucedido. Em 1868, estalou novamente a guerra civil, da qual saiu vencedora a facção liberal de Antonio Guzmán Blanco, que governou o país ditatorialmente de 1870 a 1888, quando foi deposto. Guzmán introduziu algumas reformas econômicas e educacionais progressistas, mas seu governo personalista trouxe prejuízos ao país.

De 1888 a 1892, líderes civis tentaram estabelecer governos representativos até que o general Joaquín Crespo assumiu o poder. Durante os seis anos de seu governo, Crespo teve que enfrentar uma permanente desordem civil. A antiga disputa com o Reino Unido pela definição da fronteira entre a Venezuela e a Guiana britânica se inflamou depois que se descobriu ouro na região em litígio. Um tribunal internacional, reunido por iniciativa dos Estados Unidos, deu parecer favorável ao Reino Unido, em 1899, mas a sentença nunca foi reconhecida pela Venezuela.
Ditaduras andinas.

Com a morte de Joaquín Crespo, o general Cipriano Castro, do estado de Táchira, ocupou Caracas em 1899 e assumiu a presidência. Durante os 46 anos seguintes, quatro militares de Táchira tomaram sucessivamente o poder. No governo de Castro, o país foi conturbado por revoltas internas e intervenções externas. Em 1908, Castro viajou para a Europa e deixou o general Juan Vicente Gómez interinamente na presidência. Este último se manteve no poder até morrer, em 1935. Nesses 27 anos, a presidência foi exercida ou pelo próprio Gómez, que governou despoticamente, anulando a oposição e silenciando a imprensa, ou por títeres seus.

Nessa época, já se tinha descoberto petróleo na Venezuela e as condições vantajosas oferecidas por Gómez atraíram as companhias estrangeiras, que passaram a controlar sua exploração. Ao final da década de 1920, a Venezuela era o país que mais exportava petróleo no mundo. Um pouco mais liberal e progressista foi o general Eleazar López Contreras, que substituiu Gómez e governou até 1941. O general Isaías Medina Angarita, que tomou o poder depois de López, restaurou as liberdades civis e tentou criar uma base popular para seu governo. Com o declínio da exploração petrolífera durante a segunda guerra mundial, a renda nacional baixou e Medina modificou os contratos com as companhias estrangeiras de petróleo.

Consolidação da democracia. Em 1945, um grupo de oficiais do Exército, aliado ao Partido de Ação Democrática, depôs Medina. O líder do partido, Rómulo Betancourt, chefiou uma junta civil-militar, que governou por decreto durante 28 meses. A constituição de 1947 reproduziu as idéias trabalhistas do partido. O romancista Rómulo Gallegos, eleito para a presidência pela Ação Democrática, governou apenas nove meses, devido sobretudo às medidas que tomou contra os militares enriquecidos ilicitamente durante a ditadura e à tentativa de aumentar os royalties estatais sobre o petróleo e apressar a reforma agrária. Foi deposto por um golpe militar.

Formou-se então uma junta militar, liderada por Carlos Delgado Chalbaud e Marcos Pérez Jiménez. O assassinato do primeiro, dois anos mais tarde, deixou livre o caminho para Jiménez, que impôs sobre o país um novo governo pessoal, proibindo toda oposição e ignorando o resultado das eleições de 1952. A época de Pérez Jiménez se caracterizou pela modernização da capital, em detrimento do programa de reformas sociais que havia elaborado o governo democrático anterior. Um golpe de estado derrubou-o em 23 de janeiro de 1958 e levou ao poder, provisoriamente, uma junta civil-militar presidida por Wolfgang Larrazábal.

Na eleição de dezembro do mesmo ano, livre e honesta, venceu Rómulo Betancourt. Seu segundo governo caracterizou-se por um esquerdismo mais moderado, que permitiu a colaboração da Ação Democrática com o segundo grande partido político do país, o Comitê de Organização Política Eleitoral Independente ou COPEI (logo denominado Partido Social Cristão), e ampliou a base social do governo democrático. Lançaram-se planos de modernização agrícola e industrial e de promoção da saúde e da educação. Em março de 1960 foi promulgada uma lei de reforma agrária de caráter moderado.

No ano seguinte, aprovou-se uma nova constituição para o país.
O governo de Betancourt foi abalado por várias tentativas de golpe militar, assim como por uma forte depressão econômica. A oposição ao presidente Trujillo, da República Dominicana, motivou, em 1960, um atentado contra a vida do presidente praticado por agentes dominicanos. No ano seguinte, deterioraram-se também as relações com Cuba, em resposta ao apoio do governo de Fidel Castro à guerrilha venezuelana.
A eleição presidencial de 1963 deu a vitória a Raúl Leoni, da Ação Democrática, por uma pequena margem. Leoni formou um governo de coalizão com a União Republicana Democrática, de esquerda. Um novo período de prosperidade na indústria petrolífera permitiu acelerar os projetos econômicos e sociais do governo, que em poucos anos construiu uma poderosa indústria petroquímica.

As eleições de 1968 foram vencidas, contudo, pela oposição social-cristã, que instalou na presidência seu dirigente, Rafael Caldera. Pela primeira vez na história da Venezuela, o poder passava a um sucessor da oposição sem que fosse alterada a normalidade constitucional.
O programa de Caldera não diferia substancialmente do de seu antecessor. O presidente melhorou as relações do país com Cuba, com a União Soviética e com os ditadores militares da América Latina. No início da década de 1970, o país passou a deter controle majoritário sobre os bancos privados estrangeiros e sobre a indústria de gás natural. As eleições de dezembro de 1973 deram o poder a Carlos Andrés Pérez, líder da Ação Democrática. O novo presidente redobrou os esforços governamentais para dotar o país de uma infra-estrutura industrial, e nacionalizou a indústria de minério de ferro, em 1975, e de petróleo, no ano seguinte.

Em virtude da súbita alta dos preços do petróleo provocada pela guerra árabe-israelense de 1973, a Venezuela, como membro-fundador da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), quadruplicou seus lucros com a venda de petróleo. Uma onda consumista sacudiu o país, cuja frágil estrutura econômica foi incapaz de absorver a nova riqueza sem experimentar aumento da inflação.
O agravamento da crise econômica, devido à queda dos preços do petróleo no mercado internacional, persistiu durante o governo do social-cristão Luis Herrera Campíns, eleito em 1978, e gerou inquietação social. Em dezembro de 1983, elegeu-se Jaime Lusinchi, líder da Ação Democrática, que logo lançou um programa de austeridade econômica. Em 1988, Carlos Andrés Pérez reelegeu-se e adotou novas medidas restritivas que geraram forte insatisfação popular e diversas tentativas de golpe militar, lideradas pelo coronel Hugo Chávez Frías.
Em 1993, Pérez foi destituído, depois de condenado em processo de impeachment por corrupção (que um ano depois o levou para a cadeia), e substituído pelo presidente do Senado, Octavio Lepage.

Em dezembro do mesmo ano, o ex-presidente Rafael Caldera reelegeu-se. Em 1994, as dificuldades econômicas, que incluíam a queda no crescimento e o aumento do desemprego e da pobreza, levaram o governo a suspender as garantias constitucionais relativas às atividades econômicas durante três meses, a controlar os preços e a intervir no mercado financeiro, entre outras medidas.

Instituições políticas

A constituição de 1961 define a Venezuela como um estado federativo, baseado no princípio de governo republicano, democrático e representativo. O poder executivo é atribuído a um presidente, eleito por voto direto para um mandato de cinco anos. O poder legislativo é exercido pelo Congresso, dividido em duas câmaras: a Câmara de Deputados e o Senado. Integram o Senado dois representantes de cada estado, eleitos por sufrágio universal, e ex-presidentes. O poder judiciário compreende a Suprema Corte, tribunais de jurisdição especial e tribunais de jurisdição extraordinária. A Venezuela divide-se em 22 estados, um distrito federal, onde está a capital do país, dois territórios e 72 dependências federais (pequenas ilhas no Caribe).

Sociedade

Os lucros da exploração do petróleo fizeram da Venezuela um dos países de mais elevada renda per capita da América Latina, mas de profundas diferenças sociais. A modernização e a integração da rede urbana do país, no século XX, trouxe, contudo, algumas melhorias nas áreas de educação e saúde e na promoção do bem-estar social. A previdência social foi fundada em 1944 e paga benefícios para maternidade, doença e invalidez. Os serviços de saúde são de bom nível se comparados com os de países mais desenvolvidos, embora o número de médicos e de leitos hospitalares seja relativamente baixo.
A pré-escola e os nove anos de educação primária são obrigatórios e gratuitos. O ensino secundário é menos desenvolvido: oferece vagas para menos de metade dos adolescentes com idade entre 13 e 17 anos. O país conta com numerosas instituições de ensino superior.

Cultura

O folclore e a cultura popular da Venezuela são marcados por tipos regionais, com peculiaridades de linguagem, costumes e inclusive herança histórica, como os llaneros, vaqueiros das planícies; os maracuchos, os empresários da bacia do Maracaibo; os guayanases, habitantes do remoto planalto das Guianas; e os andinos, que vivem nas montanhas. Caracas concentra a maior parte das instituições culturais do país, como o Museu de Belas-Artes, fundado em 1938, o Museu de Arte Colonial, o Museu de Ciência Natural e a Biblioteca Nacional, com um acervo de mais de dois milhões de livros. Entre os principais grupos artísticos estão o Ballet Nuevo Mundo de Caracas e a Orquestra Sinfônica da Venezuela.

Literatura

A literatura venezuelana surgiu durante a vigência do neoclassicismo hispânico. A grande figura inicial dessa literatura foi o humanista Andrés Bello, editor de revistas que desempenharam importante papel na vida cultural hispano-americana e incentivador da independência cultural da América espanhola. Nos primeiros anos da independência surgiu uma geração de escritores liberais em política mas conservadores em literatura. O primeiro prosador importante foi Juan Vicente González, discípulo do romantismo francês que soube evocar como poucos os princípios da independência de seu país numa prosa apaixonada.

A primeira geração romântica é representada por José Antonio Maitín, companheiro do exílio londrino de Bello e por isso muito influenciado pelos poetas românticos ingleses. Na segunda geração romântica destaca-se José Antonio Calcaño, poeta de tradição católica. O centro do movimento modernista venezuelano foi a revista Cosmópolis, dirigida por Pedro Emilio Coll, Pedro César Dominici, Luis Urbaneja Achelpohl e Manuel Díaz Rodrigues. Este último, figura relevante do grupo, foi um estilista exemplar e um homem culto.

A primeira fase de sua produção literária está cheia de influência européia, principalmente de Gabrielle D'Annunzio e Maurice Barrès. O líder do movimento modernista venezuelano foi Rufino Blanco Fombona. Seus romances, apesar do reduzido valor literário, são historicamente mais importantes do que seus versos. Blanco Fombona representa a corrente realista do modernismo e sua obra literária permaneceu aquém de sua aspiração programática.
A partir da terceira década do século XX começou a destacar-se o mais importante romancista venezuelano, Rómulo Gallegos, cujos romances versavam sobre a parca civilização das aldeias e povoados e a selva. Chegou-se a discernir em sua obra um impressionismo artístico e um realismo descritivo.

São da mesma época os contos de Julio Garmendia, que desempenharam um papel renovador, preparando o surgimento da novelística de Arturo Uslar Pietri. O poeta e romancista Miguel Otero Silva, o prosador Guillermo Meneses, os poetas do grupo Viernes e da corrente nativista, e os autores dramáticos Luis Peraza e Lucila Palacios pertencem a essa geração.

Outros nomes representativos da literatura venezuelana no século XX foram Gustavo Díaz Solís, Oscar Guaramato, Salvador Garmendia e Adriano Gonzáles León; entre os poetas, José Ramón Medina; entre os ensaístas, Juan Liscano; e entre os autores dramáticos, Rafael Pineda e Ramón Chalbaud.

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