É pequeno o comércio entre a Nigéria e outros países africanos. Os principais mercados para as exportações nigerianas -- basicamente petróleo, cacau, azeite-de-dendê, madeira e estanho -- são os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Japão. As maiores importações são bens de consumo e não-duráveis, matéria-prima industrial, máquinas e automóveis, do Japão e da Europa ocidental.
Transportes e comunicações
A navegação fluvial, antigamente principal meio de transporte, conservou relativa importância nos rios Níger e Benuê. A maior parte do comércio exterior nigeriano realiza-se pelos portos de Lagos e Port Harcourt; Lagos e Kano têm aeroportos internacionais. Quase todas as cidades importantes são ligadas por linhas aéreas regulares. A rede ferroviária conta com duas vias principais de penetração da costa para o interior, que unem Lagos com Kano e Port Harcourt com Maiduguri. O transporte interno de passageiros e carga é feito por rodovia. O governo central cuida das principais rodovias, que interligam as capitais estaduais. A única rodovia expressa do país, inaugurada em 1978, liga Lagos a Ibadan.
História
Entre os séculos VI e III a.C. existiu na Nigéria a "civilização de Nok", que trabalhava o ferro e o estanho, conhecia a agricultura e a arte estatuária, e influenciou as civilizações posteriores.
Estados autóctones. O moderno estado nigeriano reúne numerosos povos de evolução histórica diversa. A islamização dos povos setentrionais deveu-se aos contatos, pelo Saara, com os estados muçulmanos do norte da África. No século XI formou-se em torno do lago Tchad o vasto império de Kanem-Bornu. Vários estados hauçás islamizados, como Kano, Zaria e Gobir, mantiveram-se durante séculos e, por vezes, formaram confederações para defesa mútua.
Os fulas, pastores nômades de origem incerta, também islamizados, fundiram-se em parte com os hauçás. No início do século XIX, o xeque fula Usman (Othman) dan Fodio submeteu quase todos os reinos hauçás e criou um império que perdurou até a chegada do colonizador britânico, no fim do século.
A zona central da Nigéria esteve ocupada por uma infinidade de povos que não alcançaram um grau de civilização notável; resta apenas memória histórica deles, como no caso dos povos ibos do sudeste. No sudoeste, porém, formaram-se grandes estados dos iorubas e dos benis.
Quando os primeiros navios europeus chegaram às costas do golfo de Guiné, o rei de Benin estendia seu poder sobre uma ampla faixa costeira a oeste da desembocadura do Níger. Durante séculos, o reino deveu grande parte de sua riqueza ao comércio com os europeus, que não tentaram a ocupação do país e se limitaram a estabelecer feitorias na costa.
Colonização européia
Na segunda metade do século XV, navegantes portugueses entraram em contato com os reinos costeiros, e logo estabeleceram intenso e próspero tráfico de escravos para as plantações do continente americano. Os governantes dos estados litorâneos capturavam os escravos no interior do país, onde as populações eram politicamente menos organizadas.
Essa atividade criou grande vazio demográfico na zona central da atual Nigéria, que persistiu até a época da independência. Navegadores de todos os países colonialistas europeus participaram do comércio de escravos, que só passou a diminuir com a proibição do tráfico, no começo do século XIX, período em que os britânicos deslocaram forças navais para a Nigéria e começaram a ocupação.
O comércio negreiro foi substituído pelo dos produtos das grandes plantações, sobretudo o azeite-de-dendê. A conferência realizada em Berlim pelas potências coloniais reconheceu, em 1885, o domínio britânico sobre o território nigeriano. Sua administração foi confiada à Companhia Real do Níger e em 1900 criou-se o protetorado britânico da Nigéria do Norte. Seis anos depois, a zona costeira transformou-se no protetorado da Nigéria do Sul. Após a primeira guerra mundial, a bacia do rio Cross, que fazia parte da colônia alemã de Camarão, foi anexada ao território controlado pelos britânicos, e permaneceu unificada sob a denominação de Nigéria.
Independência
Depois de um período provisório de administração indireta, em 1º de outubro de 1960 a Nigéria passou a ser um estado independente associado à Comunidade Britânica de Nações. Três anos depois foi proclamada a república. O novo estado constava de quatro regiões federais com ampla autonomia. A instabilidade provocada pelos conflitos étnicos, no entanto, levou o general Johnson Aguiyi-Ironsi a tomar o poder em janeiro de 1966, e estabelecer um estado unitário. Poucos meses depois, novo golpe passou o poder ao coronel Yakubu Gowon, que implantou uma federação de 12 estados.
Em maio de 1967 ocorreu a secessão dos ibos, que constituíram a República de Biafra, com capital em Enugu, na parte sudeste do país. No conflito que se seguiu intervieram grandes potências e grupos estrangeiros, sobretudo companhias de petróleo, que disputavam as jazidas descobertas na costa leste. O povo ibo, o mais progressista da região, sustentou suas posições por quase três anos, mas o isolamento infligido pelas tropas federais arrasou-o por meio da fome e de grandes matanças. Em janeiro de 1970 o coronel Odumegwu Ojukwu, líder da rebelião, fugiu para a Costa do Marfim. Apesar da guerra civil, em que morreram mais de um milhão e meio de pessoas, a pacificação e reconstrução econômica foram rápidas.
Em julho de 1975 o general Gowon foi deposto. Seu sucessor, o brigadeiro Murtala Ramat Mohamed, foi assassinado em 1976, após ter convocado eleições gerais, que se realizaram em 1979, sob o governo do general Olusegun Obasanjo. Foi promulgada uma constituição e eleito presidente Alhaji Shehu Shagari, reeleito em 1983. Novo golpe militar deu o poder a um Conselho Militar Supremo, substituído em 1984 por um governo de maioria civil, presidido pelo general Mohamed Buhari.
Em 1985, o general Ibrahim Babangida tomou o poder, prometeu restaurar o sistema constitucional e iniciou um programa de saneamento financeiro. A história da jovem democracia nigeriana tornou-se uma longa sucessão de golpes. Em 1993, a eleição geral, com vistas à redemocratização, foi anulada pelo Conselho de Defesa e Segurança Nacional, ante a vitória do oposicionista Moshood Abiola.
Sociedade e cultura
A educação primária e secundária compete aos estados, que conseguiram elevar muito o grau de escolarização das crianças nas décadas posteriores à independência. Também o ensino superior experimentou grande expansão.
Mais de metade da população nigeriana é muçulmana, mas persistem influências animistas. A população cristã, majoritária no sudeste do país, tem número maior de católicos. O islamismo, em plena expansão, está profundamente enraizado no norte, além de ser majoritário na capital e no território ioruba. O estado nigeriano reconhece a liberdade de cultos.
As instalações hospitalares e os serviços médicos são insuficientes para as necessidades do país. O crescimento descontrolado das cidades, rodeadas de enormes favelas carentes dos meios e serviços elementares, cria problemas adicionais de saúde pública. As doenças infecciosas e endêmicas são uma das principais causas da mortalidade.
O idioma oficial da Nigéria é o inglês, mas cada grupo étnico tem sua língua, com diversos dialetos. As línguas mais faladas no país são o hauçá, o ioruba e ibo, nessa ordem. A hauçá é a mais falada porque, entre 1951 e 1967, foi à língua oficial dos estados do norte.
A contínua dominação do país pelos hauçás e fulas também contribuiu para disseminá-la. A criação de novos estados acarretou a proliferação de línguas escritas, pois as emissoras de rádio transmitem o noticiário nas línguas principais de cada estado, em que também são escritos alguns jornais e revistas. A tradução da Bíblia em vários idiomas nigerianos serviu para aumentar o número de línguas escritas.
A herança cultural nigeriana provém de três fontes: a cultura autóctone dos povos que habitaram originalmente o território; a influência árabe que, vinda pelo Saara, manifestou-se durante o segundo milênio da era cristã; e a cultura européia, presente nos reinos costeiros do século XV. O folclore e as tradições autóctones, menosprezados durante o período colonial, foram resgatados na segunda metade do século XX, embora tenham perdido alguns de seus traços. Muitas emissoras de rádio e televisão utilizam diferentes idiomas e dialetos locais, e as artes e músicas tradicionais são objetos de estudo e atualização.
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