Sua intenção de permanecer no poder depois das eleições de 1906 deu lugar à segunda ocupação da ilha pelos americanos, em 29 de setembro desse ano. No final do governo corrupto do general José Miguel Gómez (1909-1912), as tropas governamentais sufocaram manifestações e protestos na parte oriental da ilha, quando morreram mais de três mil pessoas.
Seguiram-se os governos de Mario García Menocal (1913-1921), Alfredo Zayas (1921-1925) e Gerardo Machado (1925-1933), que no segundo mandato se tornou ditador. Seu sucessor, Carlos Manuel de Céspedes y Quesada, foi derrubado pelo golpe militar (4 de setembro de 1933) liderado pelo sargento Fulgencio Batista e pelo professor Ramón Grau San Martín.
Em 1934, Grau se viu obrigado a renunciar e se sucederam vários governos provisórios em que Batista manteve o poder de fato, assumindo a presidência constitucional de 1940 a 1944. Seguiram-se dois períodos de governo democrático, com Grau San Martín (1944-1948) e Carlos Prío Socarrás (1948-1952), que sofreu novo golpe militar encabeçado por Batista (1952): este, em regime de crescente corrupção e violência, manteve-se no poder até 1958.
A revolução. A quartelada de 1952 fora bem recebida pelo governo americano, que viu em Fulgencio Batista um instrumento mais maleável que os políticos anteriores, de tendência nacionalista. Batista tratou de consolidar seu regime mediante manobras que lhe deram aparência de legalidade.
Ainda assim, seu regime ganhou cada vez mais opositores e manifestaram-se diversos movimentos revolucionários, mesmo dentro das forças armadas. A contestação era especialmente forte entre os universitários, os profissionais liberais e as classes médias. Finalmente, o jovem advogado Fidel Castro, que tentara sem êxito tomar o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba (1953), logrou estabelecer um núcleo guerrilheiro em Sierra Maestra (1956) e células ativistas nas cidades que, junto com outros movimentos, provocaram a queda do regime de Batista em 31 de dezembro de 1958.
Em 1º de janeiro de 1959, Fidel Castro assumiu o controle da ilha. Os projetos de seu Movimento 26 de Julho estavam pouco definidos e, embora já contassem com grande apoio no país, só em 1961 as organizações revolucionárias se fundiram no Partido Unido da Revolução Socialista, que em 1965 passou a denominar-se Partido Comunista de Cuba. Durante esses anos, a organização do estado se configurou segundo o modelo soviético, o que representou a implantação do primeiro regime socialista das Américas.
Depois de um primeiro período preparatório, o objetivo definido do regime foi à abolição do capitalismo, compreendendo a eliminação dos inimigos, civis ou militares, que permanecessem fiéis a postulados ou instituições anteriores à revolução e a sabotassem ou combatessem: julgados sumariamente por tribunais populares, muitos desses adversários do novo governo foram condenados ao paredón, isto é, executados por fuzilamento.
A nacionalização dos investimentos e propriedades estrangeiros, que no caso dos Estados Unidos elevaram-se a centenas de milhões de dólares, provocou uma série de medidas por parte do governo americano, como o apoio à tentativa de invasão de abril de 1961 na baía dos Porcos, o bloqueio comercial e o fomento de diversas conspirações para derrotar os revolucionários.
Em dezembro de 1961 Fidel Castro proclamou suas convicções marxista-leninistas, reafirmando o caráter socialista da revolução cubana. A partir de então se firmaram numerosos acordos de cooperação entre Cuba e a União Soviética, que se comprometeu a adquirir um milhão de toneladas de açúcar por ano durante pelo menos cinco anos, bem como a proporcionar um crédito equivalente a cem milhões de dólares em condições extremamente favoráveis.
A escalada da tensão entre os Estados Unidos e Cuba foi antes de tudo comercial, com o boicote aos produtos cubanos e a proibição de exportações, à exceção de alguns medicamentos. O rompimento das relações diplomáticas efetuara-se em janeiro de 1961, por iniciativa do presidente Eisenhower.
Em 1962, a União Soviética começou a instalar em solo cubano mísseis nucleares de médio alcance. Apesar do sigilo com que se procedeu à operação, os Estados Unidos a descobriram. O presidente Kennedy ordenou o bloqueio naval da ilha e a adoção de um plano de invasão que seria automaticamente levado a cabo se Cuba recebesse alguma outra ajuda militar soviética.
A União Soviética decidiu retirar os mísseis e interromper a construção de seus silos em troca de uma promessa do presidente americano de que a ilha não seria invadida.
As pressões do governo americano contra o regime de Fidel Castro em todos os foros internacionais conseguiram, em janeiro de 1962, que o país fosse expulso da Organização dos Estados Americanos (OEA), sob a alegação de incompatibilidade entre sua orientação socialista e os objetivos da entidade. Posteriormente, devido ao apoio explícito que os cubanos proporcionavam a grupos empenhados em fazer triunfar a revolução socialista em diversos países latino-americanos, a maior parte destes também rompeu com Cuba.
Tanto na conferência tri continental dos povos da Ásia, África e América Latina, de 1966, como na de solidariedade latino-americana de 1967, ambas celebradas em Havana, os partidos comunistas latino-americanos, a exemplo do soviético e dos países do leste europeu, mostraram-se contrários às teses defendidas por Fidel Castro, em que admitia a legitimidade do uso da violência com fins revolucionários. Em outubro de 1967 morreu na Bolívia Ernesto Che Guevara, um dos maiores colaboradores de Fidel Castro e figura legendária da militância marxista.
Em 1973 Cuba se viu obrigada a renegociar a enorme dívida contraída com a União Soviética, que se comprometera a adquirir oitenta por cento da produção cubana de açúcar e a subsidiar petróleo, aço e outros recursos estratégicos. Em 1975 foi suspenso o veto da OEA, o que ampliou as possibilidades de projeção diplomática do país. Em 1979, Castro visitou o México -- que jamais rompera relações formais com Cuba -- e em 1980 o presidente mexicano José López Portillo foi recebido em Havana.
Pela constituição promulgada em 1976, Fidel Castro convertera-se em presidente do Conselho de Estado, cargo equivalente ao de chefe de estado, que acumulava com os de comandante-em-chefe das forças armadas, primeiro-ministro e secretário-geral do Partido Comunista de Cuba. Em 1980, Castro autorizou o êxodo de aproximadamente 125.000 cubanos, que foram recebidos pelos Estados Unidos. Nos dez anos seguintes, estimava-se que o governo de Cuba mantinha algumas dezenas de milhares de assessores militares em países como a Etiópia e Angola. Com os países latino-americanos, Cuba teve uma exitosa política de aproximação, especialmente com o Brasil, Argentina, Peru e Uruguai.
Depois da dissolução da União Soviética, em 1990, e o fim do bloco socialista, o isolamento cubano se acentuou e suas importações e exportações caíram drasticamente. Internamente o país também se ressentiu da perda do apoio internacional. Alimentos, combustível e outros bens de consumo essenciais escasseavam, provocando descontentamento na população. Em 1994, com a persistência do embargo americano apesar da resolução aprovada no ano anterior pela Assembléia Geral das Nações Unidas, que exortava os Estados Unidos a suspenderem o boicote, a situação interna de Cuba tornou-se calamitosa. Milhares de cubanos passaram a abandonar a ilha em embarcações precárias, com o objetivo de alcançar à costa americana da Flórida. Com a lei Burton-Helms, os Estados Unidos tentaram, em 1996, forçar seus aliados europeus a participar do boicote comercial a Cuba.
Sociedade
Uma das primeiras medidas sociais empreendidas pelo governo revolucionário foi à erradicação do analfabetismo. Ao longo de 1961, declarado ano da educação, mais de 700.000 cubanos aprenderam a ler e a escrever. Nos anos seguintes, o analfabetismo foi erradicado e aumentou incessantemente o número de estudantes universitários, que chegou a ser três vezes superior ao dos tempos de Fulgencio Batista.
A assistência médica tornou-se completamente gratuita, o que fez reduzir-se significativamente o índice de mortalidade do país. O Ministério da Saúde passou a obrigar os médicos a trabalhar pelo menos dois anos nas zonas rurais depois da formatura.
Antes da revolução, a terra cubana pertencia a empresas latifundiárias nacionais e estrangeiras. A reforma agrária extinguiu o latifúndio e instalou cooperativas e estabelecimentos agropecuários estatais. Por sua vez, a lei de reforma urbana tornou possível a muitas famílias possuírem casa própria, pagando ao estado baixas mensalidades durante período de cinco a vinte anos.
Corrupção, jogo e prostituição, comuns antes da revolução, foram objeto de uma forte campanha de erradicação, acompanhada de severas medidas policiais que procuraram impedir, entre outras coisas, o desenvolvimento de um mercado negro para comerciar com muitos dos bens que escassearam sob as severas medidas de política econômica adotadas. Grandes investimentos públicos eliminaram o alto índice de desemprego e verificou-se o equilíbrio entre o dinheiro em circulação e os bens disponíveis, pelo que foram racionados muitos dos bens de consumo.
A religião tradicionalmente predominante em Cuba é a católica, embora, especialmente entre a população negra, se tenha difundido um sincretismo religioso semelhante ao do Brasil e de outros países latino-americanos, com cultos a divindades africanas formalmente identificadas com santos católicos.
No princípio da década de 1960, a Igreja Católica e o estado se enfrentaram abertamente: a igreja procurou impedir a completa estatização da educação, enquanto o governo a acusava de contra-revolucionária. Muitos sacerdotes e religiosas abandonaram o país, outros foram deportados. Desde 1965, porém, o governo e a igreja melhoraram suas relações e cooperam estreitamente em muitos projetos, especialmente de caráter social.
Cultura
A vida cultural cubana foi profundamente transformada, pois o governo considerou esse aspecto um dos mais importantes da revolução. No passado, quase todas as manifestações artísticas de qualquer índole estavam limitadas ao que as elites realizassem em Havana. A partir da revolução, o governo empenhou-se em difundir a cultura nas províncias, assim como em dotá-la de uma personalidade nacionalista, usando-a muitas vezes como veículo de propaganda da revolução, tanto no país como no exterior.
Literatura. O primeiro autor cubano foi Silvestre de Balboa, que escreveu Espejo de paciência em princípios do século XVII. Em 1764 surgiu o primeiro jornal, Gaceta de la Habana, que exerceu grande influência sobre a colônia e contribuiu para forjar o caráter nacionalista da população. O romantismo teve como precursor no país José María Heredia, poeta comprometido com o movimento revolucionário da década de 1820. Domingo Del Monte, de origem venezuelana, além de poeta romântico, realizou intensos estudos sobre o folclore e as tradições da ilha.
O modernismo se iniciou com José Martí e Julián Del Casal e se desenvolveu com Dulce María Borrero, Juan Guerra Núñez e Alfonso Hernández-Catá. José Martí firmou-se como figura maior da nacionalidade, tanto por sua participação política na independência, como por sua obra em poesia e prosa.
No século XX, o romancista Luis Felipe Rodríguez destacou-se primeiro pelo estilo de seus pequenos artigos e mais tarde pela complexa trama psicológica de seus romances. Autores de grande projeção internacional foram o poeta Nicolás Guillén, que incorporou ao espanhol os ritmos negros de seu Sóngoro cosongo, José Lezama Lima, poeta e romancista muito influente nas gerações seguintes, e Alejo Carpentier, que em 1977 recebeu o Prêmio Miguel de Cervantes.
Depois da revolução, toda publicação literária centralizou-se no Instituto do Livro, organização que chegou a editar dezenas de milhões de volumes por ano. Cerca de setenta por cento desses livros são obras de consulta ou de caráter técnico e científico, muitas delas distribuídas com fins educativos. A imprensa está nas mãos do governo, sendo suas principais publicações o Granma (nome do barco de que desembarcou Fidel Castro para chefiar a revolução), jornal oficial do Partido Comunista de Cuba, e Juventud Rebelde, órgão oficial da União de Jovens Comunistas.
Nas últimas décadas, novas gerações de escritores, em geral jovens, criaram uma literatura de qualidade e politicamente comprometida. De outro lado, também foi produzida uma literatura cubana no exílio, como a de Guillermo Cabrera Infante, e inclusive nas prisões, como é o caso do poeta Armando Valladares.
Arquitetura. O primeiro estilo da época colonial foi o hispano-mudéjar (mouro da península ibérica), do século XVII, cujos expoentes máximos são os palácios da praça das Armas, a Casa do Governo e a Intendência, assim como as ruínas do convento de São Francisco de Paula, todos em Havana.
A catedral de Havana corresponde ao barroco do século XVIII. No século seguinte desenvolveu-se o neoclassicismo, impulsionado pelo bispo Juan José Díaz Espada y Landa, que tomou a polêmica decisão de substituir os altares da catedral, de estilo barroco. Muitas fábricas de fumo, grandes armazéns de açúcar, assim como teatros e outros edifícios públicos, foram construídos segundo os cânones do neoclassicismo.
As grandes construções da última época colonial e início da republicana são suntuosos palácios e bancos cujo estilo arquitetônico foi influenciado pelos movimentos europeus e sobretudo pelos americanos.
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