Trata-se de uma infecção generalizada essencialmente crônica, cujo agente etiológico é o protozoário flagelado Trypanosoma cruzi, habitualmente transmitido ao homem pelas fezes do inseto hematófago conhecido popularmente como "bicho-barbeiro", "procotó", "chupança", "percevejo-do-mato", "gaudércio", etc. A transmissão pode ser feita também pela transfusão sangüínea, placenta e pelo aleitamento materno.
A disseminação da doença está profundamente relacionada com as condições de vida da população, principalmente de habitação, e com as oportunidades econômicas e sociais que lhe são oferecidas.
Ciclo Evolutivo
O Trypanossoma cruzi pode ser encontrado sob três formas distintas: tripomastigota (tripanossoma), epimastigota (critídia) e amastigota (leshmânia).
No sangue circulante do homem infectado, encontra-se a forma tripomastigota e, nas células parasitadas dos tecidos musculares, do tecido nervoso, glandulares, etc., é encontrada a forma amastigota. Nessa forma, o protozoário se reproduz por cissiparidade.
O vetor biológico ou transmissor do Trypanossoma cruzi mais comum é o Triatoma infestans; porém há pelo menos uma dezena de outras espécies que, por terem hábitos domiciliares, também são hemípteros transmissores da doença de Chagas.
Vivendo nas frestas das casas de barro ou pau-a-pique, sapé, casas velhas, paiós, colchões, camas, telhados, etc., escondem-se durante o dia e à noite saem para sugar o sangue dos moradores, picando geralmente no rosto das pessoas, daí o nome popular de "barbeiro". Dentro do intestino do inseto, são encontradas as três formas do parasita anteriormente descritas, sendo que, na porção terminal do tubo digestivo, estão as formas infectantes denominadas tripomastigotas metacíclicas.
O inseto infectado, ao sugar uma pessoa, defeca junto ao local da picada, eliminando com as fezes os protozoários causadores da doença.
Tanto o macho quanto a fêmea e também os jovens (ninfas) são hematófagos e podem transmitir com as fezes o Trypanossoma cruzi. A picada é indolor ou pouco dolorida, provoca uma coceira local e vermelhidão na pele. A sucção dura, em média, de 10 a 20 minutos.
A reação normal da pessoa é coçar o local onde o inseto estava sugando seu sangue, o que provoca a entrada dos parasitas pelo orifício da picada. Se acontecer na região das pálpebras, ocorrerá um inchaço local conhecido como endema bipalpebral ou "sinal de Romaña", ou, ainda, "chagoma".
Outras formas de contaminação ocorrem através da transfusão sangüínea, via transplacentária (congênita), amamentação e até por acidentes de trabalho (laboratórios).
Uma vez na circulação sangüínea, os tripanossomas (tripomastigotas) são levados a vários órgãos e instalam-se principalmente no coração, onde se multiplicam na forma de asmastigotas (leishmânias).
A forma tripomastigota não é parasita e apenas usa o sangue para atingir vários órgãos do corpo. Na corrente sangüínea, poderá ser obsorvida pelo inseto transmissor quando este vier sugar o sangue da pessoa contaminada.
Sintomatologia
Na fase aguda, ocorrem febre moderada, hepatomegalia discreta (grande fígado), inflamação dos gânglios linfáticos, miocardia aguda, meningoencefalite (dores na meninges), etc. É comum a diminuição dos sintomas.
As crianças apresentam uma maior taxa de letalidade variando de 2% a 7%.
Na fase crônica, ocorre o comprometimento do coração e do sistema digestivo. A duração depende de vários fatores, desde idade e estado nutricional do paciente até os intrínsecos dos parasitas. Os sintomas mais importantes são a cadiomegalia (coração grande), o megaesôfago (esôfago grande) e o megacólon (cólon grande).
Profilaxia e Tratamento
Nas regiões endêmicas, a primeira medida de combate à tripanossomíase americana seria a aplicação de inseticidas nos buracos e frestas das casas, onde se abrigam os vetores. No entanto, a solução definitiva seria a construção de habitações decentes, higiênicas. Outra medida profilática importante é o combate aos reservatórios naturais (animais nos quais são encontrados os protozoários parasitas) e precaução com as doações de sangue.
Embora as pesquisas estejam avançadas, não há tratamento eficaz.
Todo medicamento só deve ser consumido mediante a prescrição médica!
Protozoários - Doenças e Saúde - Brasil Escola
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