Dona de história de mais de mil anos como estado soberano, na segunda metade do século XX a Suécia converteu-se em modelo do estado assistencial, com uma sociedade próspera, culta e igualitária, além de uma economia altamente desenvolvida e um padrão de vida situado entre os melhores do mundo.
A Suécia ocupa uma superfície de 449.964km2 na península escandinava, no extremo norte do continente europeu. Limita-se a oeste e noroeste com a Noruega, a nordeste com a Finlândia, a leste com o golfo de Bótnia, a sudeste com o mar Báltico e a sudoeste com o mar do Norte. No extremo sul, um estreito a separa da Dinamarca.
Geografia física
Geologia e relevo
A Suécia apresenta uma topografia de formas relativamente simples, que reflete uma estrutura geológica bastante uniforme. Todo o território sueco, com exceção da pequena península de Scania, é constituída de rochas muito antigas, da era paleozóica. São granitos e gnaisses, formados há dois bilhões de anos ou mais, que integram o chamado escudo fino-escandinavo, que abrange toda a península escandinava. Já a Scania é formada de rochas calcárias originadas na era mesozóica, provavelmente no cretáceo.
As principais elevações encontradas na Suécia são as cadeias montanhosas que se erguem na fronteira com a Noruega.
São remanescentes de dobramentos caledonianos que sofreram processos erosivos e tomaram sua forma atual nos levantamentos alpinos da era cenozóica, posteriormente trabalhados pela erosão glacial. Sentem-se os efeitos da glaciação em depósitos de morainas, vales em U, lagos glaciais e todas as demais formas típicas.
Do norte para o sul, a Suécia é tradicionalmente dividida em três regiões: (1) Norrland, a região das montanhas e florestas, onde estão os picos mais elevados, o monte Kebne ou Kebnekaise (2.111m) e o monte Sarek ou Sarektjåkkå (2.089m); (2) Svealand, uma zona de baixadas (no leste) e planaltos (no oeste), onde estão as maiores concentrações urbanas e a maioria dos lagos do país; e (3) Götaland, que abrange os planaltos modestos de Småland, zona de solos pobres e rochosos, e, no extremo sul, as ricas planícies de Scania, que, graças aos solos ricos formam a área agrícola mais povoada do país.
Clima
Cerca de 15% do território sueco está situado ao norte do círculo polar ártico e, até mesmo Estocolmo, no sul, tem noites curtas no verão e períodos igualmente curtos de luz solar no inverno. A corrente quente do golfo ameniza as condições climáticas do território sueco. As baixas temperaturas de inverno conseguem congelar, porém, as águas do golfo de Bótnia. A zona interior do norte do país recebe neve forte e apresenta temperaturas extremamente baixas, que podem chegar a -40°C, enquanto no sul os invernos variam mais de ano a ano e trazem temperaturas mais suaves (médias em janeiro de -5 a 0° C) e muito menos neve. Os verões no sul e no centro tendem a ser ensolarados e amenos. A precipitação anual oscila entre 1.000mm, na costa ocidental do sul da Suécia, e 700mm, na costa oriental.
Hidrografia
Cerca de 90.000 lagos cobrem aproximadamente 8,6% do território sueco. O maior deles é o Vänern, alimentado pelo rio Klar-Göta; com 5.585km2, é o terceiro da Europa em superfície. A rede hidrográfica notabiliza-se pelo volume de água e pela ocorrência de quedas d'água, intensamente aproveitadas na produção de energia elétrica. Os rios do norte do país atravessam florestas e deságuam no golfo de Bótnia, geralmente em grandes estuários.
O rio Torne-Muonio, que faz a fronteira com a Finlândia, tem 570km e é o maior rio totalmente sueco. Outros rios importantes são o Pite, o Skellefte, o Ume, o Vindel, o Angerman e o Indals. Os poucos rios meridionais têm curso breve.
Flora e fauna
A ampla variação de latitude e altitude determina diversificação na flora sueca. Há quatro regiões vegetais bem definidas: (1) regiões alpinas, acima de 480m ao norte e de 900m ao sul, com espécies arbustivas e gramíneas; (2) florestas de bétulas, que predominam ao norte, abaixo da faixa alpina; (3) florestas de coníferas, que são as mais extensas e cobrem toda a área a nordeste do lago Vänern, do nível do mar até 900m de altitude; são entremeadas ao sul por carvalhos, freixos, bordos, olmeiros e outras árvores caducas; e (4) florestas de faias, restritas à região de Scania.
A lebre, o arminho, a doninha, o esquilo e a raposa são comuns em todo o país, além do alce, a caça mais importante. O urso é protegido, e, como o lobo e o lince, acha-se limitado às florestas do norte. A rena selvagem está totalmente extinta, mas na Lapônia há grandes rebanhos domesticados. Os pássaros são abundantes, sobretudo no verão e na primavera; em toda a Suécia são muito comuns narcejas e tarambolas. Os rios e lagos são geralmente piscosos, com abundância de trutas, salmões e percas.
População
O povo sueco é etnicamente bastante homogêneo, com exceção da pequena minoria de lapões que habitam o extremo setentrional da Escandinávia. A língua oficial do país é o sueco, falado por toda a população. O idioma pertence ao grupo germânico nórdico das línguas indo-européias. As províncias históricas têm seus próprios dialetos, que estão desaparecendo gradualmente, ante a influência dos meios de comunicação de massa. A minoria lapônia de Norrland, cuja ocupação tradicional é o pastoreio de grandes manadas de renas, conserva seu idioma, da família fino-úgrica, assim como costumes próprios.
Cerca de noventa por cento da população pertence à Igreja Evangélica Luterana da Suécia. Os restantes são católicos, ortodoxos gregos ou muçulmanos. O crescimento da população foi bastante moderado ao longo do século XX. Para isso contribuiu o aumento do nível de vida e a industrialização do país. O grupo etário com mais de 60 anos é maior do que o que tem menos de 15 anos, e a expectativa de vida é bastante elevada. A maioria dos imigrantes provém de outros países nórdicos, com pequeno número de representantes da América Latina, Oriente Médio, Iugoslávia, Turquia e Grécia.
A região de Norrland é muito pouco povoada: a maioria de seus habitantes vive na costa do mar Báltico. Mais de oitenta por cento da população sueca é urbana. As principais cidades do país são Estocolmo, a capital, às margens do Báltico; Göteborg, à margem do Kattegat; e Malmoe, perto da capital dinamarquesa, Copenhague.
Economia
A Suécia tem uma economia de mercado desenvolvida e amplamente baseada nos setores de serviços, indústria pesada e comércio internacional. O produto nacional bruto tem crescido mais rapidamente do que a população, e a renda per capita está entre as mais altas do mundo. A maioria das empresas suecas é de propriedade privada. A Suécia também enfrentou problemas de competitividade que levaram suas indústrias a investir mais no exterior do que no próprio país. A maioria das grandes indústrias suecas são transnacionais e algumas empregam mais pessoas no exterior do que na Suécia, onde os custos de produção são muito altos.
Agricultura, pecuária e pesca.
A agricultura representa menos de quatro por cento do produto interno bruto e emprega um percentual equivalente de mão-de-obra. As culturas mais importantes são trigo, cevada, aveia, batata e beterraba, e o rendimento agrícola sueco está entre os mais altos do mundo. A criação de gado (principalmente suíno e bovino) e a produção de leite é altamente desenvolvida.
A pesca é um setor pequeno da economia sueca. Por acordos internacionais, o país perdeu algumas de suas áreas pesqueiras tradicionais no mar do Norte. Pesca-se arenque, bacalhau, linguado, cavalinha, salmão, camarão e lagosta. Göteborg é o principal porto e mercado pesqueiro.
Extrativismo vegetal.
A madeira é uma das grandes riquezas da Suécia. As áreas florestais produtivas cobrem mais de dois terços do país e pelo menos metade dessas áreas pertence à iniciativa privada. A exploração das florestas suecas está cuidadosamente regulamentada por lei. Além dos produtos tradicionais -- madeira, polpa e papel --, a extração vegetal interessa à produção de raiom, plásticos, tintas, resinas e terebintina.
Energia e mineração
O mais importante recurso mineral da Suécia é o minério de ferro, cujos maiores depósitos encontram-se nas áreas situadas ao norte do círculo polar ártico. Existem também importantes jazidas de ouro, cobre prata, chumbo e zinco. O governo controla em grande parte a produção de ferro e aço.
A Suécia não dispõe de grandes recursos de combustíveis fósseis e por isso precisa importar petróleo, gás natural, carvão e combustível nuclear enriquecido para alimentar as usinas nucleares.
A energia hidrelétrica, contudo, é abundante, graças aos desníveis dos cursos de água em Norrland.
Indústria. Bem desenvolvida e diversificada, a indústria sueca é responsável por mais de um quinto do produto interno bruto e emprega mais de vinte por cento da mão-de-obra. Predominam indústrias pesadas, voltadas, sobretudo para a produção de veículos, aviões, maquinaria, além de chapas de ferro e aço. A indústria leve se concentra em produtos eletrônicos, equipamentos de telecomunicações, processamento de plásticos e metais e vidraria. Outras indústrias produzem equipamentos farmacêuticos e médicos, petroquímicos e alimentos processados.
Finanças e comércio
A maior parte dos bancos suecos são privados, assim como as importantes sociedades financeiras, que controlam grande parte das empresas industriais. O comércio exterior é vital para a economia sueca, já que as exportações são responsáveis por mais de um terço do produto nacional bruto. A ênfase passou da exportação de produtos como polpa de madeira, serragem e aço para automóveis, equipamentos de telecomunicações e outros produtos acabados. Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Noruega, Finlândia e Dinamarca compram mais de metade dos produtos exportados pela Suécia.
Transportes
A Suécia tem uma rede ferroviária e rodoviária altamente desenvolvida e a maioria das famílias têm no mínimo um carro. Os aeroportos de Estocolmo, Göteborg e Malmoe operam vôos domésticos e internacionais. Os portos de Göteborg e Estocolmo estão entre os mais importantes dos vinte portos que manipulam o comércio internacional.
História
Pré-história. Ao final do período glacial, por volta de 12.000 a.C, o Báltico era um lago de água doce, e uma faixa de terra unia a península escandinava ao continente. Acredita-se que através dela realizaram-se as primeiras migrações humanas, atraídas pela caça abundante que procurava refúgio nas densas florestas de pinheiros que cobriam parte do atual território sueco. Os primeiros traços de vida humana na Suécia datam de 9000 a.C e foram encontrados perto de Malmoe, no extremo sul do país.
Entre 5000 e 3500 a.C, as águas salgadas do oceano transbordaram para o Báltico, o clima se amenizou, o carvalho substituiu o pinheiro e um primitivo núcleo de agricultores deixou vestígios de sua passagem por todo o sul do país. Outras tribos ocuparam a região, e, por volta de 1500 a.C, estabeleceram-se relações comerciais entre a Suécia e a Europa continental. A expansão celta, cerca de mil anos depois, interrompeu esse intercâmbio.
A cultura da idade do ferro durou de aproximadamente 400 a.C. ao ano 400 da era cristã, período em que se desenvolveu o comércio com o Império Romano. O historiador romano Tácito fez a primeira descrição do povo germânico que vivia na região centro-oriental da Suécia.
Expansão sueca e unidade nacional
Os mais antigos textos assinalam a presença de uma monarquia sacerdotal sueca, com centro em Uppsala, na região de Uppland. Mais ao sul, os godos ocupavam a Gotlândia oriental (Östergötland) e a Gotlândia ocidental (Västergötland). Em data incerta, entre os séculos VI e IX, o reino sueco de Uppsala gradativamente subjugou as áreas godas adjacentes. Durante o período viquingue, iniciado por volta do ano 800, os suecos penetraram a região báltica, a Finlândia e o norte da Rússia e controlaram o curso dos rios Dnieper e Volga, importantes rotas comerciais com Bizâncio e o Oriente Médio.
A Suécia foi cristianizada por missões inglesas e alemãs no século XI, embora a resistência tenaz dos proprietários rurais e viquingues retardasse o desenvolvimento da igreja. A nova religião firmou-se inicialmente na área do Västergötland, onde foi batizado o rei Olaf Skötkonung. Seus descendentes, depois de convertidos, enfrentaram os partidários do culto local, centralizado em Uppsala. Quando esse importante núcleo cultural e político tornou-se arcebispado em 1164, ficou assegurado o triunfo da igreja.
Nessa época, porém, a Suécia ainda era uma frágil federação de províncias, e a monarquia via-se periodicamente sacudida por conflitos entre dinastias rivais e por outros choques entre a coroa e a nobreza fundiária.
Durante os dois primeiros séculos de cristianismo, surgiram duas dinastias, uma fundada pelo rei Sverker e outra pelo rei Erik, mais tarde santo Erik, patrono da Suécia. A despeito de conflitos internos, os suecos expandiram-se para o leste, pelas rotas exploradas pelos viquingues, em cruzadas contra finlandeses, estonianos e russos.
Em meados do século XIII, as guerras civis chegavam ao fim. A mais importante figura sueca desse período foi Birger Jarl, da dinastia Folkung, que transformou a Suécia num estado tão forte quanto seus vizinhos e fixou a capital em Estocolmo. Sucedeu-lhe o filho Magnus Ladulås e, mais tarde, Birger Magnusson.
Em 1319, Magnus II Eriksson ascendeu ao trono e herdou também a coroa da Noruega, unindo os dois reinos. Os anos de paz que se seguiram marcaram uma época de progresso econômico e cultural. A fronteira com os russos fixou-se em 1323. Nos últimos anos de seu reino, porém, Magnus II Eriksson empenhou-se em guerras malsucedidas contra a Rússia e a Dinamarca, e adotou uma política fiscal contrária aos interesses do clero e da nobreza. O rei da Dinamarca, Valdemar IV, aproveitou-se do descontentamento que reinava entre os suecos para, em 1360, retomar os territórios cedidos a eles e ocupar a região da Gotlândia.
A paz entre os dois países foi selada três anos depois pelo casamento de Haakon, filho de Magnus II Eriksson, com Margarida, filha e herdeira de Valdemar IV. Preocupados com os problemas que a sucessão de Haakon suscitaria, a nobreza sueca revoltou-se e proclamou rei a Alberto de Mecklenburg. Após a morte do rei Valdemar e de Haakon, os líderes da aristocracia entraram em acordo com Margarida, que se tornou regente da Dinamarca, da Noruega e também da Suécia, após a deposição de Alberto.
União escandinava. Em 1397 a rainha Margarida I estabeleceu a União de Kalmar, confederação dos três grandes reinos nórdicos -- Suécia, Noruega e Dinamarca -- e designou como seu sucessor Erik da Pomerânia, que tentou fundi-los numa monarquia absoluta. Uma revolta popular, dirigida mais contra o absolutismo real do que contra a união escandinava, pôs fim ao reinado de Erik em 1439.
O Conselho de Estado tomou o poder, que manteve mesmo após a eleição de Cristóvão da Baviera. A participação do povo nas lutas de independência obrigou a sua inclusão no Parlamento, ao lado dos nobres, do clero e da burguesia. Durante o final do século XV e início do XVI, os governantes suecos e dinamarqueses disputaram o controle da união escandinava.
Dinastia Vasa. Coroado em 1520, Cristiano II da Dinamarca ordenou em novembro do mesmo ano o chamado "banho de sangue de Estocolmo", um verdadeiro massacre dos líderes da oposição local. Três anos mais tarde, o filho de uma das vítimas da matança, Gustavo Vasa, à frente de um exército de mineiros e camponeses, proclamou a independência sueca, expulsou dinamarqueses e noruegueses do país e foi coroado rei. Seu reinado, que durou quase quatro décadas, deu origem ao estado sueco moderno.