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Nafta

Geografia

O Nafta, bloco econômico formado pelos três países da América do Norte, é marcado pelo protagonismo dos EUA e pelas várias críticas existentes.
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O Nafta – sigla em inglês para Tratado Norte-Americano de Livre Comércio – é um bloco econômico composto por Estados Unidos, México e Canadá. Fundado em 01 janeiro de 1994, seguiu uma das tendências do processo de Globalização: a organização dos países em acordos regionais. Assim como ocorre nos demais blocos econômicos, o Nafta objetiva promover a integração comercial entre os seus países-membros, o que se faz por intermédio, sobretudo, da redução das tarifas alfandegárias.

Além de seguir uma tendência internacional, a criação do Nafta fez-se também em razão da concorrência no âmbito do comércio mundial por parte dos demais blocos econômicos, principalmente a União Europeia e o Mercosul. Desse modo, estabelece-se uma dinâmica comercial integrada entre os três países que também participam, juntos, de outro acordo regional em processo de desenvolvimento: a APEC (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico).

Entre as características do Nafta, a que mais se destaca é a elevada desigualdade econômica entre os seus países-membros. Os EUA, a maior economia do mundo, exercem uma influência sem igual sobre os seus vizinhos membros do acordo regional em questão, de modo que as economias de Canadá e México encontram-se bastante dependentes dos estadunidenses, embora essas relações de dependência expressem-se de maneiras distintas.

O Canadá é considerado, por muitos, como uma espécie de “extensão territorial” dos Estados Unidos, uma vez que esse país absorve quase 80% de suas exportações, tanto é que boa parte das indústrias situadas no território canadense encontra-se em áreas próximas à fronteira com os EUA. Todavia, é importante considerar que o Canadá é um país desenvolvido, com um alto desenvolvimento humano e que, inclusive, desalinha-se dos estadunidenses em várias posições e perspectivas geopolíticas.

O México, por sua vez, também é bastante dependente dos Estados Unidos, apresentando, contudo, uma grande desvantagem em termos de balança comercial, pois seus produtos possuem menos tecnologia agregada e, por isso, saem mais baratos do que aqueles importados pelo vizinho do norte. Além disso, no México, há uma grande internacionalização de suas indústrias, haja vista que boa parte delas é de origem estadunidense, principalmente as chamadas maquiladoras, que se situam nas áreas de fronteiras entre os dois países. Essas fábricas são uma espécie de montadoras de produtos cujas peças foram produzidas em outras partes do mundo. Elas se aproveitam do baixo custo da mão de obra mexicana para reduzir os custos de produção, além da proximidade entre os dois países, o que barateia os gastos com transporte.

O Nafta deve ser considerado como um bloco estritamente econômico, ou seja, a integração entre os países não passa por outras esferas, como ocorre na União Europeia. A livre circulação de pessoas, sobretudo entre México e Estados Unidos, é impensável em razão da grande diferença entre a qualidade de vida dos dois países. Mesmo assim, o número de migrantes ilegais mexicanos nos EUA é muito alto, o que não é contido mesmo com a criação de um grandioso muro na região fronteira entre os dois países.

Críticas ao Nafta

Existem muitas críticas ligadas aos aspectos negativos do Nafta, principalmente na política interna de seus países-membros. No cenário mexicano, a crítica que se faz é a intensificação da dependência econômica do país em relação aos EUA, além de o bloco econômico proporcionar uma acentuada diferença negativa na balança comercial entre os dois países. Além disso, critica-se a grande entrada de produtos e empresas norte-americanos, que, mais bem equipados, promovem uma concorrência desleal com os produtos locais, principalmente os agropecuários.

Nos Estados Unidos, a crítica interna que se realiza também está relacionada com a migração das fábricas do país em direção aos outros dois países, principalmente para o território mexicano. Assim, perdem-se muitos postos de trabalho com a saída das empresas nacionais para outros territórios. Já no Canadá, as reclamações internas fazem-se pela elevação da dependência econômica do país em relação aos Estados Unidos, além de se considerar que o Nafta funcione como um efeito limitador para a atuação comercial dos canadenses em outras partes do mundo.

Sindicatos e trabalhadores protestam contra o Nafta em Washington, capital dos EUA *
Sindicatos e trabalhadores protestam contra o Nafta em Washington, capital dos EUA*

Apesar de todas essas críticas, há de se destacar, porém, os aspectos positivos do Nafta: o crescimento da economia mexicana, a maior integração comercial entre os países-membros e a geração de mais postos de trabalho. Do lado dos EUA, o Nafta é considerado vantajoso em razão do aumento do mercado consumidor de seus produtos industrializados e o consequente aumento dos lucros de suas empresas, que aumentaram a receita e diminuíram os seus gastos.

* Créditos da imagem: Joseph Sohm / Shutterstock


Por Me. Rodolfo Alves Pena

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