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Leste Europeu: Países que formaram a URSS – Parte I

Geografia

As mudanças que ocorreram durante a década de 1980 foram um dos impulsionadores para a derrocada da URSS.
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A URSS foi um enorme país localizado entre o leste da Europa e parte da Ásia Central e Setentrional.  Representou o único adversário ideológico, político e militar dos Estados Unidos, apostando na força do seu exército e na proposta socialista como mecanismos de cooptação de nações em direção ao seu bloco. No continente europeu, foi formado por Rússia, Estônia, Letônia, Lituânia, Belarus, Ucrânia, Moldova, Geórgia, Armênia e Azerbaijão. No continente asiático, parte da Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Turcomenistão compuseram o território soviético.

A fragmentação da URSS teve o seu início principalmente com as transformações que ocorreram durante a década de 1980. Uma grave crise ocorreu em razão de vários fatores. Havia um atraso tecnológico em todos os segmentos, resultado de anos de práticas protecionistas em que as empresas estatais não sofriam concorrência do capital privado. O socialismo não poderia incentivar o consumismo, que era considerado uma das mazelas do sistema capitalista. Por isso, a produção de bens de consumo era limitada e os salários pagos eram baixos, para evitar desequilíbrios sociais.

Os excessos em gastos militares para fazer frente ao poderio bélico dos EUA criaram uma enorme contradição: o país detinha um déficit no abastecimento de alimentos devido às deficiências técnicas na produção agrícola e na logística do setor, enquanto o país produzia centenas de artefatos militares e mantinha o seu temido arsenal atômico. Como um país socialista, sistema cujo fundamento era a igualdade social, poderia possuir milhares de famintos em seu território? Foi nesse momento que as diferenças étnicas, um caldeirão com 120 grupos étnicos que foram obrigados a se submeter ao controle dos eslavos russos, começaram a ganhar evidência.

Em meio a todos esses desafios, o presidente Mikhail Gorbatchev assumiu a presidência do país em 1985, propondo transformações para modernizar o país. Gorbatchev não queria o fim da URSS, mas suas duas políticas principais, a Perestroika e a Glasnost, culminaram na fragmentação política do país. A Glasnost foi criada para democratizar o sistema político na forma de multipartidarismo e participação popular. A expressão Glasnost significa transparência e, nesse sentido, a ideia principal era acabar com a hegemonia do Partido Comunista, assim como os privilégios acumulados pelos seus maiores representantes. Conhecidos como Nomenklatura, esses dirigentes do partido, assim como os principais generais e outros membros do exército, olharam para essa medida com grande desconfiança e desafiaram o presidente e seus aliados.

A Perestroika tinha como objetivo abrir a economia soviética para o capital internacional e finalmente inserir o país no contexto econômico da globalização. O termo quer dizer reconstrução, mas para o cumprimento dessa etapa não havia capitais internos ou mesmo um ambiente industrial favorável à competitividade e à livre iniciativa. Por praticamente 70 anos o país se acostumou com a tutela do Estado na planificação da economia e na alocação de recursos para as atividades econômicas, e as empresas soviéticas não despertavam o interesse de investidores estrangeiros, eram instalações defasadas e com pouquíssima mão de obra qualificada.

No plano externo, o país viveu a sua maior derrota militar ao término da Guerra do Afeganistão (1979-1989).

Em síntese, foi um conflito entre a guerrilha anticomunista afegã muçulmana, conhecida como mujahidin, e as forças militares soviéticas.  O conflito teve origem no golpe político realizado em 1978 que derrubou o presidente afegão Sardar Mohammad Daud Khan, que tinha chegado ao poder pela derrocada do seu primo, o rei Mohammad Zahir, em 1973.  O presidente foi assassinado e um governo pró-comunista soviético foi estabelecido.  Em 1979, outro golpe, que levou Hafizullah Amin ao poder, provocou uma invasão de forças soviéticas e o ingresso de Babrak Karmal como presidente, uma imposição dos soviéticos.

A resistência afegã foi surpreendente para os estrategistas de Moscou, inicialmente envolvendo cerca de 30.000 soldados, mas que posteriormente chegou a 100.000 homens.  Os mujahidin foram ajudados pelo suporte logístico e técnico dos Estados Unidos, China e Arábia Saudita. A topografia montanhosa dificultava os avanços das tropas soviéticas por terra e tiravam também a possível vantagem das suas forças aéreas.

Considerada para muitos como o “Vietnã soviético”, uma alusão à derrota sofrida pelos EUA na Guerra do Vietnã, a invasão do Afeganistão foi uma guerra demasiadamente longa e cara para a URSS, além de ter sido conduzida no momento de crise geral do império soviético. Em fevereiro de 1988, o presidente soviético Mikhail Gorbatchev anunciou a retirada das tropas da URSS, o que foi concluído um ano mais tarde. Os cidadãos soviéticos tornaram-se descontentes com a guerra, que se arrastou sem sucesso. Logo após a derrocada soviética no Afeganistão, a sustentação do império era inviável.


Júlio César Lázaro da Silva
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista - UNESP
Mestre em Geografia Humana pela Universidade Estadual Paulista - UNESP

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