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La Niña

Geografia

O La Niña é um evento climático natural que ocorre no Oceano Pacífico, resfriando as suas águas e alterando a distribuição de calor e umidade em várias partes do globo.
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O La Niña consiste em uma alteração cíclica das temperaturas médias do Oceano Pacífico, sendo observado principalmente nas águas localizadas na porção central e leste desse oceano. Tal transformação é capaz de modificar uma série de outros fenômenos, como a distribuição de calor, concentração de chuvas, formação de secas e a pesca. Quando a alteração da temperatura das águas do Oceano Pacífico aponta para uma redução das médias térmicas, o fenômeno é nomeado de La Niña. Resumindo: o efeito La Niña está ligado ao resfriamento das temperaturas médias das águas do Oceano Pacífico, representando exatamente o oposto do fenômeno El Niño, que produz um aquecimento anormal de suas temperaturas.

Da mesma maneira que o El Niño, as origens do La Niña ainda são bastante controversas no meio científico, mas sua alternância com o El Niño aponta para as mudanças de intensidade de calor solar, ou seja, ciclos solares que ora determinam maior radiação solar e consequente aquecimento das águas do Pacífico, ora determinam enfraquecimento da radiação solar que alcança o planeta, promovendo o resfriamento da temperatura das águas do Pacífico. Em se tratando de um oceano que cobre praticamente 1/3 da superfície terrestre, as implicações dessas alternâncias são muito amplas e repercutem na distribuição de calor e umidade em diversas partes do globo.

O fenômeno La Niña ocorre nos intervalos entre o El Niño e a situação de normalidade das temperaturas do Oceano Pacífico. Sua ocorrência decorre do fortalecimento das zonas de alta pressão subtropicais, localizadas aproximadamente em uma latitude de 30º. Por esse motivo, os ventos alísios, que nascem exatamente nessa localização, ganham maior intensidade, lembrando que os ventos são originados pela formação de zonas de alta pressão. O ar mais frio, e ao mesmo tempo mais denso, potencializa a força da pressão atmosférica e, consequentemente, dos ventos.

O La Niña diminui a quantidade de chuvas do litoral do Chile, Peru e Equador, pois com o aumento da velocidade dos ventos alísios, a formação de nuvens acaba dispersa em direção à Oceania e Indonésia. A Austrália, por exemplo, possui um aumento considerável de suas chuvas durante a ocorrência do La Niña. A pesca, em contrapartida, é favorecida no litoral leste do Oceano Pacífico, junto à América do Sul, o que pode ser explicado pelo fortalecimento das altas pressões, que fazem os ventos soprarem com maior intensidade, deslocando as águas superficiais e fazendo com que os nutrientes e fitoplâncton localizados em águas mais profundas aproximem-se da superfície, o que é chamado de ressurgência. Através da ressurgência, os cardumes são atraídos para as águas superficiais, oferecendo benefícios para nações pesqueiras como o Chile e o Peru.

No Brasil, o La Niña provoca estiagem nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e principalmente Sul. No Nordeste e na Região Amazônica são verificados aumentos na intensidade das estações chuvosas, podendo até mesmo justificar cheias mais expressivas de alguns rios amazônicos e de enchentes mais vigorosas no litoral nordestino.

Tomando como referência o último evento La Niña, ocorrido entre os anos de 2010 e 2012, é possível verificar algumas de suas consequências para o clima e a economia, em especial para as atividades agrícolas. No caso da produção de cana-de-açúcar, a redução das chuvas no Centro-Sul ajudou a diminuir a safra desse cultivo, o que também pôde ser sentido no aumento dos preços do etanol, combustível fabricado a partir da cana. Cabe destacar que o aumento dos preços do etanol não está relacionado apenas ao fenômeno La Niña, mas sim a uma combinação de fatores, como a expansão da demanda pelo combustível, incremento da fabricação de veículos “flex” e das exportações de etanol realizadas pelo Brasil.

A produção de soja brasileira, apesar de manter seu processo de expansão, também foi limitada pelas estiagens provocadas pelo fenômeno La Niña no período destacado. Até os Estados Unidos, país que conta com uma agricultura moderna e de precisão, tiveram prejuízos em sua produção de trigo praticada nas planícies do Sul graças às secas relacionadas ao La Niña.


Júlio César Lázaro da Silva
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista - UNESP
Mestre em Geografia Humana pela Universidade Estadual Paulista - UNESP

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Júlio César Lázaro Da. "La Niña"; Brasil Escola. Disponível em <http://www.brasilescola.com/geografia/la-nina.htm>. Acesso em 29 de agosto de 2015.

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  • lucassábado | 19/04/2014 11:30Hs
    ótimo texto, e cheio de informações relacionadas ao efeito que La niña provoca. :)
  • mateusquinta-feira | 10/04/2014 19:51Hs
    perfeito
  • andra lopes dos santosquarta-feira | 25/09/2013 19:41Hs
    achei muito interençante
  • Ellen Cristinaterça-feira | 20/08/2013 13:38Hs
    mt bom finalmente entendi oque significa o fenômeno.
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