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França 2

Economia

A França apresenta uma economia muito desenvolvida e é um dos países mais industrializados do mundo. Até meados do século XIX, a economia era essencialmente agrícola, com importantes atividades artesanais. O desenvolvimento dos transportes, na segunda metade do século XIX, acelerou a concentração, em certas áreas, de atividades industriais. Métodos modernos de fabricação em série foram implantados após a primeira guerra mundial.
Depois da segunda guerra mundial, mais exatamente a partir de 1950, o governo francês estabeleceu algumas medidas protecionistas de seus produtos frente aos estrangeiros, que foram paulatinamente abandonadas à medida que a indústria francesa se modernizou, tornando-se mais competitiva. Na década de 1970 a produção industrial cresceu 33% mas, a partir de 1980, estabilizou-se.

Agricultura. A França possui solos excelentes para o cultivo de cereais, o que a torna um dos poucos países europeus com excedentes agrícolas para exportar. A principal região produtora é a bacia de Paris. A tradição agrícola remonta a épocas muito antigas, mas a mecanização do campo alterou a agricultura de subsistência e gerou o êxodo rural, a especialização dos cultivos e a expansão das lavouras. A maior parte das terras cultiváveis é utilizada para a produção de cereais e uva, principais produtos agrícolas do país.

A França está entre os grandes produtores mundiais de trigo e, na Europa, tem uma das maiores produções de arroz - plantado principalmente no sul (Camargue). O milho híbrido, destinado à forragem, é cultivado principalmente na região sudoeste. A produção de cevada (Alsácia e Borgonha) cresceu em função da indústria da cerveja.
É grande a produção de vinhos na França. Destinam-se ao mercado interno, mas há excedente para exportar para todo o mundo. São produzidos basicamente três tipos de vinho: (1) os grandes vinhos, chamados vins d'appellation ou vins de cru, que têm a qualidade controlada pelo governo desde o início do século XX; (2) os "vinhos transformados" (bebidas semelhantes ao vinho): o champagne, o cognac, o armagnac, batizados de acordo com sua região de origem; e (3) os vinhos comuns, ou vins de consommation, vendidos em copos no varejo.

Somente os dois primeiros são exportados. Os melhores vinhos franceses provêm dos pequenos vinhedos localizados em áreas específicas: o vale do rio Loire, a Borgonha, as Côtes du Rhône, a Alsácia e o Jura.
A beterraba, plantada no norte para fabricação de açúcar, a batata, frutas, hortaliças e flores também são produtos importantes. Assinala-se ainda o cultivo de plantas aromáticas para a indústria de perfumes.
Pecuária, recursos florestais e pesca. No fim do século XX, o rebanho de bovinos teve crescimento acentuado na França. Com o país situado entre os maiores exportadores de derivados de leite do mundo, a pecuária representava uma importante fonte de divisas. Destacam-se também os rebanhos ovino, para produção de lã e carne, e suíno. Em menor medida, são criadas cabras para produção de queijo.

As florestas primárias da França constituíam-se de carvalhos e faias que foram substituídos por pinheiros e outras espécies de crescimento rápido. Nas regiões montanhosas há grandes florestas de coníferas e, na região das Landas, o pinheiro é muito abundante. O governo central, assim como os governos estaduais, administra um considerável percentual das áreas de florestas do país, mas a maior parte está em mãos de particulares. Junto aos países escandinavos, tradicionalmente madeireiros, a França se destaca como produtora de madeira na Europa.
Devido às grandes extensões litorâneas voltadas para o oceano Atlântico e o mar Mediterrâneo, a pesca é uma importante atividade econômica.

Na região norte localizam-se os maiores centros de pesca industrial do país, sobretudo na Bretanha, onde há grandes portos: La Rochelle, Lorient, Concarneau, Douarnenez, Dieppe, Boulogne e Frécamp. No mar Mediterrâneo a pesca é mais artesanal e predominam a sardinha e o atum. Na pesca de alto-mar, são importantes para a economia do país o arenque, atum, linguado e cavala. Na região litorânea do golfo de Biscaia destaca-se a criação de ostras.
Energia e mineração. A nacionalização das minas francesas logo depois da segunda guerra mundial permitiu a modernização das técnicas de mineração, o que aumentou a produtividade do setor. Entretanto, a atividade e o número de trabalhadores têm diminuído, desde 1960, com a progressiva substituição do carvão por outras fontes de energia, como o petróleo.

Produz-se carvão principalmente no norte do país e na Lorena, na bacia do Sarre. O carvão de melhor qualidade encontra-se na bacia de Saint-Étienne e é utilizado em usinas termelétricas e siderúrgicas dessa região ou de Lyon. A França, no entanto, importa carvão, pois a produção interna não atende às necessidades da siderurgia nacional. Há jazidas de petróleo em Parentis, mas a produção insuficiente torna necessária a importação. Essa dependência fez com que os efeitos da crise do petróleo de 1973 fossem bastante graves para a economia francesa.
Entre os países europeus, a França é um importante produtor de minério de ferro. No passado, teve grande importância também a produção de bauxita, que deve seu nome à localidade de Les Baux, perto de Arles. O país possui ainda outros recursos minerais -- zinco, sais de potássio, chumbo e ouro. Havia também grandes reservas de gás natural, mas a exploração exaustiva praticamente esgotou esse recurso, que passou a ser importado dos Países Baixos, da Argélia, da Noruega e da antiga União Soviética. O país produz ainda sal-gema, potássio e sal marinho.

As usinas hidrelétricas aproveitam as quedas d'água das regiões montanhosas dos Alpes, Pireneus e do maciço Central, bem como de alguns rios, como o Sena, o Ródano e o Durance. A produção de energia se completa com várias centrais nucleares. A primeira usina atômica da França foi inaugurada em 1956, em Marcoule, no departamento de Gard. Destacam-se ainda a de Chinon e a de Saint-Laurent-des-Eaux. Extrai-se urânio para usos pacíficos e militares na bacia do Loire, na Alsácia e na Côte d'Azur.
Indústria. No fim do século XX, a França era a quarta nação industrial do mundo, depois dos Estados Unidos, Japão e Alemanha.

O processo de industrialização tomou impulso no período que se seguiu à segunda guerra mundial, com apoio financeiro decisivo do governo, que também incentivou a fusão de pequenos grupos empresariais, o que resultou em maior concentração industrial. As principais regiões industriais da França são as de Paris, do norte, da Alsácia-Lorena e de Lyon. A indústria siderúrgica se concentra nas proximidades das jazidas de ferro, especialmente no norte e no nordeste. A mecânica pesada francesa encontra-se nas proximidades dos parques siderúrgicos ou dos principais mercados. A indústria de alumínio, obtido a partir do tratamento da bauxita, centraliza-se nas cidades próximas dos Alpes e dos Pireneus.

Destacam-se no parque industrial francês as montadoras de automóveis e aviões, as indústrias mecânicas, elétricas, químicas -- com grande concentração financeira -- e alimentícias, geralmente situadas perto dos centros urbanos. A França também desenvolveu significativamente a tecnologia de ponta -- informática, eletrônica e aeronáutica. Destaca-se o crescimento da indústria de armamentos, em que o país ocupa um lugar importante em nível internacional.
A fabricação de relógios é tradicional na fronteira com a Suíça (Jura) e a confecção de roupas, principalmente femininas, é importante fonte de divisas para o país.

A indústria francesa de tecidos (linho, seda, lã e algodão) abastece o mercado interno e produz excedentes para a exportação.
Finanças, comércio e turismo. A unidade monetária francesa é o franco e a emissão de papel-moeda só pode ser feita pelo Banque de France, que concentra a atividade financeira. O estado exerce grande influência no sistema monetário, já que os principais bancos foram estatizados após a segunda guerra mundial. Existem no país ainda bancos comerciais, de crédito agrícola e de poupança.

As sucessivas guerras em que à França se envolveu foram extremamente prejudiciais para suas finanças e o custo de vida. O déficit no comércio exterior e a evasão de reservas em ouro chegaram a tal ponto que, por volta de 1960, exigiram a adoção de uma nova política financeira, com aumento de impostos, cortes em subsídios e despesas militares e empréstimos do Fundo Monetário Internacional. Em 1º de janeiro de 1960 entrou em circulação o novo franco, equivalente a cem vezes o anterior. Apesar das medidas de contenção, o custo de vida é alto.
A reorganização da economia francesa após a segunda guerra mundial levou o país a um lugar privilegiado no comércio internacional.

Sua integração à Comunidade Econômica Européia (CEE), em 1958, modificou substancialmente o comércio exterior e orientou suas importações e exportações para os países da CEE e da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Assim, seus principais parceiros comerciais são, no âmbito da CEE, Alemanha, Bélgica, Itália, Luxemburgo e Suíça, além de Estados Unidos, Iraque e Arábia Saudita.

As exportações francesas consistem de produtos siderúrgicos, maquinaria, veículos, tecidos, perfumes, vinhos, materiais elétricos e minério de ferro. O país importa produtos agrícolas tropicais (café e cacau), matérias-primas (algodão, lã, borracha, celulose, cobre, níquel) e petróleo.
O turismo é uma atividade econômica de peso para a economia da França. Distinguem-se dois tipos de turismo: o de verão, concentrado na costa do mar Mediterrâneo (Côte d'Azur), na Bretanha e na Normandia; e o de inverno, nas regiões montanhosas.

Transportes e comunicações

A França possui um sistema de transportes muito desenvolvido, com traçado radial que parte de Paris. A rede rodoviária é, junto com a belga, a mais densa da Europa. A rede ferroviária, cujo traçado é também radial, está nacionalizada e é administrada pela Société Nationale des Chemins de Fer (SNCF). A rede de canais navegáveis, iniciada no século XVII, tem em Paris seu porto principal e transporta carvão, petróleo e derivados, minérios e material de construção.

O tráfego marítimo também é intenso e destacam-se os portos de Marselha e Havre.
O transporte aéreo adquire cada vez maior importância, tanto nacional quanto internacionalmente. A Air France é a principal companhia aérea do país. Destacam-se os aeroportos Charles de Gaulle, Orly e Le Bourget, em Paris. O governo controla os serviços de rádio, televisão, telefonia e telegrafia.

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