
Temperaturas da superfície do mar: em vermelho, a incidência do El Niño.
El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico de aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical. Tal fenômeno, cuja atuação sobre as temperaturas mundiais ainda é motivo de estudo, foi reconhecido por pescadores da costa oeste da América do Sul, que notaram o fato do fenômeno ocorrer normalmente no fim do ano, associando o mesmo ao Natal (Menino Jesus): El Niño.
Em um ano sem a incidência do El Niño, os ventos alísios sopram através do Oceano Pacífico tropical na direção oeste. Isso é de grande importância, pois permite a ressurgência de águas profundas, mais frias e carregadas de nutrientes que alimentam o ecossistema marinho. Já nos anos em que ocorre a incidência do fenômeno, esses ventos sopram em uma intensidade bem menor que a normal, resultando na acumulação de águas mais quentes e na alteração do ecossistema: diminuição das populações de peixes, por exemplo.
O El Niño faz com que ventos em altos níveis (12 km de altitude) tornem-se mais intensos que o normal em decorrência do aumento do gradiente de temperatura entre o Equador e os Pólos. A ação do El Niño provoca significativas mudanças climáticas em várias regiões do mundo.
No tempo de incidência do fenômeno, que se manifesta em ciclos de 2 a 7 anos, há muitas chuvas na costa oeste da América do Sul e grandes secas em regiões da Austrália e Indonésia. Acredita-se também que o El Niño esteja diretamente relacionado com os verões excepcionalmente quentes na Europa e com as secas na África. No Brasil, o fenômeno pode resultar em um aumento do índice pluviométrico na região Sul e na diminuição da quantidade de chuvas da região Norte e Nordeste.
Por Tiago Dantas
Equipe Brasil Escola
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