A suinocultura e a avicultura atingiram bom nível de mecanização. Mesmo com o intenso desmatamento, metade do território colombiano ainda é ocupada por florestas. O aproveitamento de diversas espécies, e de algumas madeiras de alta qualidade, é limitado por dificuldades de transporte e pelo exíguo investimento de capital nessa atividade. A pesca é praticada, sobretudo, nas costas do Pacífico e no Caribe, mas o país não possui uma frota pesqueira adequada. São também muito limitadas as atividades pesqueiras nos rios e regiões pantanosas.
Energia e mineração.
Os campos de petróleo se acham na fronteira com a Venezuela, na região do Caribe e na bacia do Magdalena. Grandes reservas ocorrem na região amazônica, nas planícies e na costa do Pacífico. O país possui uma das maiores reservas de carvão do mundo. A maior parte da energia elétrica é produzida nos rios andinos, mas somente uma parte do grande potencial hidrelétrico é explorada. Nas áreas costeiras do norte, as centrais termelétricas utilizam gás natural, derivados de petróleo e carvão.
O subsolo é rico em minerais metálicos: extraem-se ouro, prata e platina em jazidas localizadas nas cordilheiras Central e Ocidental e no Chocó. Também se explora ferro, urânio, chumbo, zinco, cobre etc. A produção de esmeraldas, grandes e de boa qualidade, é também importante.
Indústria.
No começo do século XX existiam na Colômbia apenas cem estabelecimentos industriais. As duas guerras mundiais e a política de proteção cambial adotada a partir de 1930 permitiram extraordinária expansão industrial e em 1950 a produção nacional atendia a quase toda a demanda de têxteis, calçados, cimento, alimentos etc. As áreas industriais concentram-se em Bogotá, Barranquilla, Medellín e Cali.
Finanças e comércio. O sistema financeiro colombiano é regido pelo Banco da República, responsável também pela emissão da moeda. A maioria dos bancos privados tem sede em Bogotá e em Medellín. Há também bancos regionais.
O mercado interno se concentra em quatro regiões: Bogotá, Medellín, costa do Caribe e vale do Cauca. As dificuldades de comunicação foram propícias ao desenvolvimento de mercados regionais, muito diferenciados e autônomos.
No comércio exterior, além do café e da banana, são importantes o fumo, a platina e o açúcar. Entre os principais produtos de importação se encontram máquinas, metais e veículos. Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial, tanto importador como exportador.
Transportes e comunicações. A complexa configuração geográfica da Colômbia determina dificuldades de comunicação entre os diversos compartimentos do território. Estradas insuficientes e inadequadas encarecem os transportes comerciais.
A maior parte das importações e exportações da Colômbia escoa pelos principais portos marítimos do Caribe -- Cartagena, Barranquilla e Santa Marta. Na costa do Pacífico, o porto de Buenaventura, com instalações modernas e boa comunicação com a cidade de Cali, dá saída à produção do vale do Cauca.
A navegação fluvial, que se pratica principalmente nos 1.200km navegáveis do rio Magdalena, e a aviação constituem os principais meios de transporte nas regiões do Orinoco e do Amazonas. O Atrato e alguns trechos do Cauca também são navegáveis. A navegação de cabotagem vale-se da proximidade do canal do Panamá para ligar os portos marítimos do Pacífico e do Caribe.
A rede ferroviária, administrada pelo estado, cobre as regiões mais populosas do país. A principal linha férrea une o porto caribenho de Santa Marta a Bogotá pelo vale do Magdalena. Uma linha secundária vai a Medellín, de onde continua pelo vale do Cauca para o sul e chega a Popayán, com um ramal que vai de Cali ao porto de Buenaventura. Dessa forma Santa Marta, no Caribe, e Buenaventura, no Pacífico, se ligam por via férrea, mas mesmo assim a rede ferroviária é insuficiente para as necessidades do país.
Das três rodovias que cortam o país de norte a sul e constituem os troncos rodoviários oriental, ocidental e central, a mais importante é a primeira, por ser a seção colombiana das rodovias Pan-Americana e Simón Bolívar. A Colômbia foi o primeiro país sul-americano a desenvolver o transporte aéreo em escala comercial, por meio da Sociedad Colombiana-Alemana de Transportes Aereos, surgida em 1920. Várias empresas de aviação comercial servem às linhas domésticas e internacionais. Há mais de 400 aeroportos.
História
Culturas pré-colombianas. Diversos povos ameríndios ocupavam o território colombiano antes da conquista espanhola. Nenhum deles deixou registros escritos, o que não permite reconstruir sua evolução com a mesma precisão que se alcançou no estudo das grandes civilizações históricas do Novo Mundo. Ainda hoje, culturas como a de San Agustín, extinta muitos séculos antes da chegada dos europeus, continuam a ser um enigma.
Os povos das regiões planas e litorâneas organizavam-se socialmente como confederações de tribos, levavam vida muito simples e foram extintos pelos colonizadores espanhóis. Já em terras andinas havia culturas mais desenvolvidas, entre as quais se destaca a dos chibchas, que ocupavam os pontos mais altos da parte central da cordilheira Oriental.
Cultivavam milho, batata e algodão. Não chegaram a formar um império unitário, mas apresentavam muitos traços culturais comuns. Atingiram grande densidade populacional na savana de Bogotá. Seu centro mais importante era Bacatá, próximo à posterior capital colombiana.
Exploração e conquista espanholas. A primeira expedição européia a avistar terras da futura Colômbia foi a do espanhol Alonso de Ojeda, que em 1499 dobrou o cabo de La Vela, na península de La Guajira. Dez anos depois, o reconhecimento de toda a costa sul-americana do Caribe foi feito por Rodrigo de Bastidas, que em 1525 fundou Santa Marta. Em 1533 Pedro de Heredia fundou Cartagena, que se tornaria uma das principais bases marítimas do império espanhol nas Américas. Até 1539 já haviam sido fundadas todas as cidades importantes do interior colombiano, até mesmo Santa Fe de Bogotá (1538).
Bogotá, que antes da conquista era o principal núcleo dos reinos chibchas, transformou-se em 1550 na audiência de Santa Fe de Bogotá, dependente do vice-reino do Peru e centro administrativo de uma região que abrangia Nova Granada, Popayán, Antioquia, Cartagena, Santa Marta, Riohacha, os llanos de Casanare e San Martín. A partir de 1564, os presidentes da audiência de Santa Fe gozaram de poderes semelhantes aos dos vice-reis. As populações autóctones diminuíram enormemente, exterminadas pelos novos senhores das terras e por doenças por eles transmitidas, como a epidemia de varíola de 1587-1589.
As culturas indígenas se transformaram rapidamente, em contato com a civilização. O catolicismo foi imposto e predominou sobre as religiões autóctones. No século XVII, o chibcha, língua indígena que tivera o maior número de usuários, havia caído em desuso nas zonas mais povoadas do país e a miscigenação granhou forte impulso. Nas planícies do Chocó e na costa do Caribe foram instalados escravos negros, destinados à extração do ouro e ao trabalho nas plantações de cana-de-açúcar.
A Igreja Católica, com a atuação de missionários franciscanos, dominicanos e jesuítas, desempenhou importante papel na catequese e na administração. Em 1620, a Inquisição instalou-se em Cartagena, cidade que logo se tornaria um baluarte do império espanhol.
Vice-reino de Nova Granada. A dependência administrativa de Lima encerrou-se com a criação do vice-reino de Nova Granada, vigente primeiro durante um breve período, de 1717 a 1723, e depois, definitivamente, a partir de 1740. Compreendia a Colômbia, a Venezuela, o Equador e o Panamá e representou o início de uma nova era. Nas décadas seguintes, a coroa espanhola procurou fortalecer o império mediante maior centralização da administração e desenvolvimento do comércio. A população aumentou e começou a consolidar-se uma nova classe social com crescente poder: a dos criollos, descendentes de espanhóis nascidos na colônia.
De 1785 a 1810, os criollos de Nova Granada não ofereceram resistência às reformas políticas e econômicas. Assim, na revolução dos comuneros, os socorrenses opuseram-se às reformas, mas em 1809 propuseram medidas favoráveis ao sistema de livre comércio e à abolição da escravatura. As reformas educacionais desempenharam papel de relevo nessa modificação de perspectiva dos granadinos. Como vice-rei, o arcebispo Caballero y Góngora (1782-1788) concentrou-se principalmente na educação, modernizando os currículos e criando uma escola de minas.
Independência. O antagonismo entre súditos coloniais e metropolitanos e as incertezas quanto ao destino do império, após a invasão da Espanha pela França em 1808, provocaram um conflito que culminou na declaração de independência. Em 1810, as jurisdições de Nova Granada expulsaram as autoridades espanholas, exceto em Santa Marta, Riohacha e os atuais Panamá e Equador.
O levante de Bogotá, de 20 de julho desse ano, é comemorado como a data de independência da Colômbia. A rivalidade entre os grupos que propugnavam uma federação e aqueles que tentavam centralizar a autoridade nos novos governos provocou uma série de guerras civis, que facilitou a reconquista, pela Espanha, das Províncias Unidas de Nova Granada, entre 1814 e 1816.
As execuções e castigos praticados pelos espanhóis favoreceram a unidade dos setores libertários. Um grupo refugiado em Casanare, chefiado por Francisco de Paula Santander, iniciou a luta armada, com apoio de Simón Bolívar. Em 1819 realizou-se na cidade de Angostura (hoje Cidade de Bolívar, na Venezuela) uma convenção, com delegados de Casanare e algumas províncias venezuelanas.
No mesmo ano Bolívar invadiu Nova Granada e derrotou os espanhóis em Boyacá, em 7 de agosto. Seguiram-se as batalhas de Carabobo (Venezuela), em 1821, e de Pichincha (Equador), em 1822, também vencidas por Bolívar.
Libertado o território colombiano, Bolívar concentrou sua ação no Peru, deixando Santander como vice-presidente da Grande Colômbia. Em 1826, com a expulsão definitiva dos espanhóis do continente, Bolívar regressou a Bogotá, onde suas idéias centralizadoras se chocaram com o federalismo de Santander. Bolívar tornou-se ditador, mas sucessivos atentados e revoltas, além do descontentamento de grande parte de seus antigos partidários, obrigaram-no a renunciar em 1830. Em poucos meses, o que havia sido o vice-reino de Nova Granada fragmentou-se em três estados independentes: Venezuela, Equador e República de Nova Granada, depois Colômbia, na qual estava incluído o território do Panamá.
A partir da guerra civil de 1840-1842 e de hostilidades entre os partidos Liberal e Conservador, instituiu-se uma federação em que o governo central teve poderes muito reduzidos. A constituição de 1858 restaurou um governo nacional forte. A rejeição da constituição pelos liberais levou à chamada "anarquia organizada", ordenada pela constituição de 1863. Um segmento do Partido Liberal, encabeçado por Rafael Núñez, passou então a defender uma reforma constitucional e aliou-se aos conservadores.
Disso resultou a constituição de 1886, pela qual a Nova Granada adotou o nome de República da Colômbia, regida por uma constituição unitária que haveria de manter-se, com modificações, durante todo século seguinte.
O presidente Rafael Núñez devolveu à Igreja Católica os privilégios cuja supressão causara uma guerra civil na década anterior. Com sua morte, novas discórdias civis ocorreram entre 1884 e 1895. Anos depois começaria a mais sangrenta das guerras civis colombianas, a guerra dos mil dias (1899-1903), que deixou o país exaurido.
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