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Canadá 2

Indústria

No começo, o desenvolvimento econômico do Canadá baseou-se na agricultura, na exploração florestal e nas jazidas minerais. No entanto, a importância dessas atividades reduziu-se progressivamente, sobretudo a partir da década de 1940, quando os setores industrial e de serviços ganharam a dianteira, e este último veio a representar, nas últimas décadas do século, mais da metade do produto nacional. Na segunda metade do século XX, o desenvolvimento industrial acelerou-se. Houve um notável crescimento das indústrias siderúrgica, de papel, de alumínio (embora o país tenha de importar a bauxita) e, especialmente, da indústria química (fertilizantes, plásticos, têxteis e borracha sintética).

A produção metalúrgica alimenta uma versátil indústria mecânica, eletromecânica, ferroviária e automobilística. A maior parte da indústria canadense se concentra no sudeste do país, a região mais populosa e de melhores meios de comunicação; as províncias de Ontário e Québec contribuem com cerca de oitenta por cento do valor da produção industrial. O restante das indústrias se encontra na região de Vancouver e nas grandes cidades das pradarias.
Transportes e comunicações. O transporte ferroviário é realizado por duas companhias: a Canadian Pacific Railway, particular, e a Canadian National Railway, estatal. A rede rodoviária, muito densa no quadrante sudeste, requer incansável trabalho de manutenção, devido aos problemas causados pela grande incidência de neve e gelo.
O transporte fluvial foi o principal meio de comunicação e penetração colonial em direção ao interior do Canadá. Desde 1959 está em funcionamento o sistema hidroviário do canal de São Lourenço, complexa rede marítima e fluvial que une o Atlântico a lagos e rios: permite a navegação desde os portos canadenses e americanos, nos grandes lagos, até o oceano e as costas da Terra Nova. Vancouver é o principal porto marítimo do país. Os portos de Toronto e Montreal têm acesso ao Atlântico através do canal de São Lourenço.
No setor de transporte aéreo, destacam-se, pelo movimento, os aeroportos de Ottawa, Montreal, Toronto, Vancouver e Québec. O Canadá mantém variado e intenso comércio com o exterior. Seus principais parceiros são os Estados Unidos, responsáveis por cerca de sententa por cento das transações internacionais, o Japão, o Reino Unido e a Venezuela.

História

Início da colonização. Os navegadores escandinavos chegaram às costas canadenses no século XI, mas pouco se sabe sobre suas atividades na América. O primeiro desembarque bem documentado é o de João Caboto, marinheiro genovês que procurava uma passagem para o Pacífico, a mando do governo inglês, e chegou em 1497 à península do Labrador.
Os ingleses, porém, não se interessaram pela região e, no princípio do século XVI, os únicos europeus que viajaram com freqüência pelos mares que circundam o Canadá foram pescadores que chegavam às águas pouco profundas da Terra Nova, em busca de bacalhau. De 1520 a 1525, o português João Álvares Fagundes explorou a costa da ilha do cabo Breton, mas não foi bem-sucedido na tentativa de colonizá-la.
As primeiras expedições de intenção colonizadora foram realizadas pelos franceses. Em 1524, o navegador florentino Giovanni da Verrazano percorreu as costas do golfo de São Lourenço e tomou posse destas em nome de Francisco I da França, que patrocinara a viagem. Só se passou, porém, a conhecer efetivamente o Canadá a partir dos feitos de Jacques Cartier, que viajou pelo extremo nordeste da Terra Nova e em 1534 chegou à península de Gaspé.
Em sua segunda viagem, em 1535, Cartier subiu o São Lourenço até as aldeias indígenas de Stadacona e Hochelaga, onde floresceriam as futuras cidades de Québec e Montreal. Apesar de ter ficado na região por vários meses, não criou ali nenhum assentamento, situação que se prolongou até o século XVII, uma vez que as guerras religiosas na França interromperam seus empreendimentos de colonização. A presença francesa ficou reduzida às tradicionais expedições pesqueiras à Terra Nova e ao comércio de peles por parte de aventureiros que procuraram ganhar o interior do país.

No fim do século XVI, estabilizada a situação na metrópole, os comerciantes, com o objetivo de assegurar o monopólio das peles, estimularam a colonização permanente das regiões vitais para o intercâmbio. A primeira feitoria foi fundada na ilha de Sable, a 180km de Nova Escócia. No princípio do século XVII Samuel de Champlain, primeiro governador do Canadá francês, deu novo impulso à colonização. Em 1604, fundou-se na Nova Escócia a importante localidade de Port-Royal e, em 1608, Québec, ponto de partida das explorações e capital da Nova França. A expansão francesa foi muito rápida. Ao final do século XVII as colônias francesas da América do Norte estendiam-se desde o rio São Lourenço e os grandes lagos até as pradarias do oeste, e ao rio Mississippi e golfo do México, ao sul.

Ao mesmo tempo, a Inglaterra estava cravando os alicerces de sua colonização na América. A primeira tentativa séria foi realizada por Humphrey Gilbert, que em 1578 chegara ao porto de Saint John's, na Terra Nova, e tomara posse da região em nome da soberana inglesa Elizabeth I. Pouco depois foram fundadas pequenas colônias na Terra Nova e na baía de Hudson.
Conflitos coloniais entre franceses e ingleses. Depois de estabelecer suas cabeças-de-ponte na América do Norte, a França e a Inglaterra tentaram estender e consolidar seus domínios o mais depressa possível. Começou desse modo uma luta em que se disputou a posse do vasto continente durante mais de 150 anos, até o Tratado de Paris, em 1763.
Os confrontos tiveram início em 1613, quando colonos britânicos da Virgínia destruíram na costa leste os pequenos e indefesos povoados franceses da Acádia. Em 1628, Sir William Alexander fundou uma colônia escocesa, a Nova Escócia, posteriormente assimilada pelos franceses. Durante algum tempo não houve desavenças, uma vez que, entre os territórios ingleses e franceses, se interpunham colonos holandeses, fixados na parte baixa do rio Hudson e na ilha de Manhattan, denominada Nova Amsterdam. Em 1664, porém, os ingleses conquistaram o território holandês e mudaram-lhe o nome para Nova York.
Enquanto isso, a Nova França, que até o século XVII fora apenas colônia comercial, à época do cardeal Richelieu converteu-se em colônia real. Embora atrasados em sua expansão pela resistência das tribos indígenas, pela hostilidade do clima e pelas desavenças com os ingleses, os franceses haviam ampliado substancialmente seus domínios.

A partir da segunda metade do século XVII, o mercantilista Colbert, ministro de Luís XIV, estimulou a política colonial. No início do século XVIII os colonos franceses que viviam nas regiões de uma e outra margem do rio São Lourenço somavam 16.000. Não se tratava de uma colonização em grande escala, porque, entre outros motivos, a caça e o comércio de peles não exigiam povoamento intensivo.
A luta entre a França e a Grã-Bretanha pela hegemonia européia, desde as primeiras décadas do século XVIII, repercutiu em suas respectivas possessões coloniais. A França perdeu, aos poucos, grande parte de seus territórios no novo continente. Em 1713, pelo Tratado de Utrecht, cedeu à Grã- Bretanha os territórios da Acádia (Nova Escócia e ilha do Príncipe Eduardo), Terra Nova e baía de Hudson.
Em meados do mesmo século, os rumos da guerra dos sete anos na Europa também se refletiram sobre as colônias. Vitoriosa, a Grã-Bretanha aproveitou para conquistar as terras francesas do Canadá. Québec foi tomada em 1759 e Montreal em 1760. Três anos depois, pelo Tratado de Paris, a França abandonaria definitivamente as terras canadenses, em benefício da Grã-Bretanha.

O Canadá britânico: 1763-1867. A nova colônia britânica teria uma população majoritariamente francesa. Com o objetivo de conquistar a confiança e lealdade dos franco-canadenses, os britânicos em 1774 concederam o Estatuto de Québec, que reconhecia a liberdade de culto, o respeito à língua e o restabelecimento do direito civil francês.
Após a independência dos Estados Unidos, muitos loyalists, ingleses e anglo-americanos fiéis à coroa britânica, emigraram para a região de Ontário, então província de Québec. Eram, na maioria, agricultores que, somados à contínua chegada de imigrantes britânicos, deram origem a problemas que a metrópole só resolveria com a promulgação do Estatuto Constitucional de 1791, que decretou a divisão do Canadá em duas províncias: o Alto Canadá, mais tarde Ontário, povoado majoritariamente por britânicos e sujeito ao sistema legal inglês, e o Baixo Canadá, depois Québec, de maioria francesa e regido pelo direito civil francês. Ambas as províncias teriam suas respectivas assembléias legislativas. Começava assim a segunda etapa da história do Canadá.
Guerra com os Estados Unidos. Após a independência americana, surgiram os primeiros desentendimentos entre a colônia britânica e a nova nação, como conseqüência do comércio de peles, do desejo dos americanos nacionalistas de libertar a América do domínio do velho continente, e do ressentimento dos loyalists contra os novos adversários. A inexistência de fronteiras claramente demarcadas complicava a situação. Em 1812 desencadeou-se um pequeno conflito que terminou com a fixação, dois anos depois, de fronteiras que asseguravam a separação definitiva entre os dois países.

Exploração do interior

No princípio do século XIX, as únicas regiões colonizadas eram as que ficavam próximas aos grandes lagos do lado leste, as que estavam à beira do rio São Lourenço e as províncias marítimas (Nova Escócia, Nova Brunswick, Príncipe Eduardo e Cabo Breton). Mas, no final do século XVIII os comerciantes de pele começaram a internar-se no oeste e nas regiões ao norte dos grandes lagos. Em 1789, Alexander Mackenzie alcançou o curso do rio que passou a ter seu nome, na região ártica e, no início do século XIX, Simon Fraser e David Thompson exploraram as regiões da costa do Pacífico, posteriormente conhecidas como Colúmbia Britânica.
Levantes de 1837 e o Estatuto Único. A entrada crescente de imigrantes (800.000 entre 1815 e 1830), com os conseqüentes problemas econômicos, sociais e de adaptação, ao lado do descontentamento dos setores de origem francesa, cristalizaram-se nos levantes de 1837. Os movimentos, tanto no Alto como no Baixo Canadá, tinham como objetivo aumentar a autonomia de ambas as províncias e conseguir a instauração de um regime republicano.
Controlada a rebelião, o governador enviado para solucionar a situação, John George Lambton, conde de Durham, recomendou a união dos territórios canadenses, com a conseqüente assimilação da parte de influência francesa (à qual atribuía a culpa dos acontecimentos), aumento da autonomia política e provincial. O governo britânico aceitou ampliar o grau de autogoverno e elaborou um estatuto da união, o Estatuto Único de 1840, baseado na coexistência das comunidades e não na assimilação.

Confederação canadense e evolução política

A união do país se veria dificultada pelas rivalidades provinciais e diferenças culturais. Em 1864, os políticos provinciais reunidos em Charlottetown e em Québec decidiram criar uma confederação canadense, que se materializou em 1867 com o Estatuto da América do Norte Britânica, que assegurava a união das províncias existentes e, com o tempo, propiciaria a criação de outras.
De acordo com esse instrumento, o Canadá se organizaria como estado autônomo com categoria de domínio dentro do império britânico e regido por um sistema político democrático. Embora a confederação tivesse amplos poderes internos, as relações exteriores seriam exercidas pelos britânicos, que resolveram os litígios territoriais com os Estados Unidos com expressivas concessões, como em 1903 se demonstrou com os acordos de fronteira sobre o Alasca. Os franco-canadenses, no entanto, ofereceram forte resistência à confederação assim articulada, o que levou à rebelião franco-canadense de 1885, no vale de Saskatchewan.

Desde o estabelecimento da confederação, o Canadá foi dirigido alternadamente por dois partidos políticos: o Conservador e o Liberal, da mesma forma que ocorria na metrópole britânica. De 1867 até 1896 o conservador John Macdonald governou o país. Foi uma época de vertiginoso desenvolvimento econômico, que se concretizou sobretudo na construção da estrada de ferro Canadian Pacific (que uniu a costa do Atlântico à do Pacífico), na enorme expansão do comércio e na implantação de poderosas instalações industriais.
Em 1896 começou um período de governo liberal. John Macdonald foi substituído pelo autonomista e liberal Wilfrid Laurier, que conseguiu ampliar a margem de autogoverno quando se reconheceu à confederação o direito de não ficar atrelada aos tratados britânicos e de regular segundo seus próprios interesses a imigração.
Período 1914-1945. A intervenção na primeira guerra mundial, ao lado do Reino Unido, garantiu ao Canadá não apenas igualdade junto às nações da Comunidade Britânica, como também a participação em 1919 da assinatura do tratado de paz de Versalhes e ainda seu ingresso na Liga das Nações, na qualidade de estado independente. Em 1926, a conferência imperial definiu a Comunidade Britânica como um conjunto de países autônomos livremente associados, fato corroborado pelo estatuto de Westminster de 1931, que outorgava ao Parlamento federal canadense uma total autonomia legislativa.

O Canadá atravessou a década de 1920 em acelerado processo de desenvolvimento econômico, mas sofreu duramente as conseqüências da crise de 1929, devido, principalmente, a seus fortes laços comerciais com os Estados Unidos, com os quais em 1940 firmou um pacto militar de defesa mútua. Como país independente, em 1939 declarou guerra à Alemanha e participou ativamente do conflito, não só fornecendo tropas e material militar, como também alimentos e ajuda financeira.

Evolução após a segunda guerra mundial. Em 1949 o Canadá chegou ao ápice de sua expansão com a inclusão efetiva da Terra Nova e participou, já na qualidade de potência internacional, da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e, em 1956, da força de emergência das Nações Unidas, organizada durante a crise de Suez.
Após a guerra, o Canadá passou por impressionante surto de desenvolvimento do setor industrial, que se converteu no motor da economia do país. Os liberais, que governaram o país desde 1935, primeiro com William Lyon Mackenzie e, a partir de 1948, com Louis Saint-Laurent, deram lugar ao conservador John Diefenbaker, que venceu as eleições de 1957 com um programa populista. Seu governo, porém, entrou em crise no início da década de 1960.
Como culminância de uma nova fase de predomínio dos liberais, em 1968 Pierre Elliott Trudeau, originário de Québec, venceu as eleições com maioria absoluta. Trudeau governou o país durante mais de uma década, saiu vitorioso em sucessivas eleições e empreendeu uma política baseada no incremento das relações econômicas com a Europa e com os países socialistas, assim como no nacionalismo perante os Estados Unidos.
Durante seu primeiro mandato, teve de enfrentar violentas manifestações da organização separatista Frente de Libertação de Québec, que de modo geral se prolongaram até 1969, quando o Parlamento federal reconheceu o francês como língua oficial, ao lado do inglês. O separatismo não arrefeceu e em 1976 o partido autonomista (Parti Québécois) obteve esmagadora vitória eleitoral em Quebec: o líder René Lévesque tornou-se um chefe do executivo provincial. Entretanto, o plebiscito de 1980 sobre "soberania ou associação" de Québec com o Canadá derrotou os separatistas.

Mais tarde, o governo de Trudeau instou o Reino Unido a conceder ao Parlamento canadense a capacidade de dispor de sua própria ordenação jurídico-administrativa. Em 1982 o Parlamento britânico aprovou o novo estatuto pelo qual o Canadá alcançou completa independência em termos legislativos, embora permanecesse submetido à soberania formal da coroa britânica.
Em fevereiro de 1984 Trudeau anunciou sua demissão e, em setembro, o conservador Brian Mulroney venceu as eleições. Em 1985 o novo primeiro-ministro apoiou as iniciativas de defesa estratégica tomadas pelo presidente americano Ronald Reagan e em 1987 negociou uma liberalização do comércio entre Canadá e Estados Unidos.
Em 1987 firmou-se o chamado pacto do lago Meech, pelo qual as dez províncias autônomas e o governo federal reconheceram as peculiaridades de cada unidade administrativa. Em 1990, porém, as províncias de Manitoba e Terra Nova não ratificaram o pacto, deixando aberto o caminho do separatismo, de especial significado em Québec.

Instituições políticas

Sistema político

O Canadá é um estado federal, membro da Comunidade Britânica de Nações. O chefe de estado é o soberano britânico, com poderes exclusivamente honoríficos, representado por um governador-geral que, desde 1952, deve ser canadense nato, eleito para um período de seis anos pela coroa, por proposta do governo federal. Desde a criação do domínio, a capital é Ottawa.
O Estatuto Constitucional inclui os direitos e liberdades fundamentais da cidadania e a legislação comum das províncias federadas. O país é regido por um sistema político democrático e parlamentarista, segundo o qual o poder legislativo é exercido por duas câmaras: o Senado, com 104 membros nomeados pelo governador-geral por recomendação do governo; e a Câmara dos Comuns, com 295 membros eleitos por cinco anos. O poder executivo é exercido pelo primeiro-ministro, chefe do partido majoritário na Câmara dos Comuns e assistido por um conselho de ministros.

Organização territorial

O Canadá é um estado federativo composto por dez províncias: Terra Nova, Ilha do Príncipe Eduardo, Nova Escócia, Nova Brunswick, Québec, Ontário, Manitoba, Saskatchewan, Alberta e Colúmbia Britânica. Conta ainda com dois territórios, o de Yukon e o de Noroeste. Cada governo provincial apresenta instituições políticas equivalentes em função e organização às do governo federal.

Sociedade

A população canadense desfruta de elevado padrão de vida, embora o governo federal e os governos provinciais prestem serviços sociais de caráter geral (saúde e ensino) e mantenham numerosos programas de assistência aos grupos menos favorecidos. Um plano especial do estado assegura pensão mensal a todas as pessoas com mais de 65 anos. A assistência médica é gratuita, praticamente para toda a população.
O ensino no Canadá é leigo e, em sua maior parte, descentralizado. As obrigações do governo, no campo da educação, estão limitadas aos índios e esquimós. Não há um ministério da educação nacional: esta se acha sempre submetida aos órgãos de instrução pública das províncias, que se encarregam de harmonizar as atividades educacionais públicas e privadas, estabelecer os programas necessários e nomear os conselheiros escolares. As comunidades são, em geral, responsáveis pelo financiamento da educação.
O ensino é obrigatório até os 16 anos. A educação primária começa entre os seis e sete anos de idade e se prolonga até os 13 ou 14 anos, conforme a província. Existem em grande número as escolas de formação profissional para a indústria, agricultura e comércio. Não há universidade particular e o ensino superior é ministrado em inglês ou francês, pois há universidades específicas para cada idioma.
O catolicismo é a religião de cerca de cinqüenta por cento da população. As principais igrejas protestantes são a anglicana do Canadá e a Unida do Canadá, esta fruto da fusão, em 1925, de metodistas, congregacionalistas e alguns presbiterianos. Há ainda presbiterianos, batistas, luteranos, ortodoxos gregos, católicos ucranianos, judeus e outros.

Cultura

A diversidade de origens da população canadense explica a variedade de manifestações culturais.
Arte. Entre os povos indígenas, as tribos da costa oeste destacam-se nos trabalhos de entalhe da madeira: são universalmente conhecidos seus tótemes e máscaras zoomórficas ou de outros motivos míticos. A arte dos índios das pradarias é menos original e apresenta características semelhantes às da encontrada entre os peles-vermelhas dos Estados Unidos: limita-se à pintura das vestimentas e das peles de bisão das tendas em que se abrigam. Por outro lado, os esquimós são os criadores de maior interesse estético, pelas figuras muito estilizadas que fazem com a utilização de dentes de foca e chifres de rena.

A arte dos povos colonizadores foi, a princípio, pouco original, pois se restringia a repetir os estilos das respectivas metrópoles, França e Grã- Bretanha. Durante o século XIX, a arquitetura também imitou os estilos europeus, principalmente britânicos: são exemplos inequívocos a igreja de Nossa Senhora de Montreal, o edifício do Parlamento de Ottawa, o castelo de Frontenac, em Québec etc.
No próprio século XIX, porém, surgiu na pintura um grupo de artistas naturalistas com um estilo muito peculiar, salientando-se entre eles Paul Kane, pintor da vida cotidiana dos índios, e Cornélius Krieghoff, que retratou os fazendeiros canadenses. No começo do século XX desenvolveu-se importante escola paisagista que, mesmo sob influência dos impressionistas europeus, mostrava originalidade e valia-se de cores muito vivas. O representante mais destacado dessa escola foi Tom Thomson.
No século XX, a arquitetura manteve-se identificada, de maneira eclética, com os estilos europeus e americanos (funcionalismo, organicismo e outros), sendo Vancouver o centro criador mais importante do Canadá. Os pintores também seguiram, como os arquitetos, as correntes de vanguarda européias, o que se revela nas obras do surrealista Jean Dallaire, do expressionista abstrato Charles Binning e de Alfred Pellan, que fundou na década de 1930, em Québec, uma escola de pintura não-objetiva. A partir da década de 1960, a arte, tal qual a literatura canadense, esteve mais perto das novas correntes americanas do que da influência européia.
Música. Na música popular, sobressaem os cantos dos primeiros povoadores europeus do país, recolhidos por Ernest Gagnon em suas Chansons populaires du Canada (Canções populares do Canadá), livro que reúne canções em que se mesclam o folclore indígena, as lendas do Canadá selvagem e as melodias levadas da metrópole por exploradores e conquistadores.

A música culta, ainda que introduzida pelos franceses no século XVII e impulsionada, posteriormente, pelos britânicos, só teve uma produção própria no final do século XIX, com as composições de Calixa Lavallée e Alexis Contant. As correntes musicais do século XX, sobretudo o atonalismo, manifestaram-se no trabalho de John Weinzweig, representante da escola de Toronto, assim como nas obras de Serge Garrand e Roger Mallon.

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