O nome Canadá provém do iroquês kanata, que significa aldeia ou povoado. Segundo país da Terra em extensão territorial, e um dos que alcançaram mais alto padrão de vida, o Canadá, devido a condições naturais de clima, solo e relevo, é desabitado na maior parte de seu território, do qual só a metade, aproximadamente, teve suas reservas e recursos explorados.
Com área de 9.970.610km2, o Canadá ocupa toda a parte superior da América do Norte, com exceção do Alasca, mas incluindo as ilhas adjacentes. Limita-se ao norte com o oceano Glacial Ártico, a leste com o oceano Atlântico, ao sul com os Estados Unidos (8.895km de fronteira desmilitarizada) e a oeste com o oceano Pacífico e o estado americano do Alasca.
Geografia física
Geologia e relevo
Apesar de sua vasta superfície, o relevo canadense apresenta configuração muito simples. Existem quatro regiões naturais: o escudo canadense, as grandes planícies, as montanhas baixas do sudeste ou seção atlântica, e as grandes cordilheiras do oeste.
Escudo canadense
Também chamado laurenciano, o escudo canadense é constituído de rochas pré-cambrianas (granitos, gnaisses, xistos, quartzitos e outras rochas cristalinas), que contêm muitos minerais valiosos, como ouro, prata, platina, cobre, níquel, cobalto, ferro, chumbo e zinco. O escudo, fortemente erodido, não sofreu nenhum dobramento, mas os movimentos tectônicos terciários o encurvaram em forma de bacia, cujo centro, invadido pelo mar, deu origem à baía de Hudson. Esses movimentos soergueram o escudo em suas margens, sobretudo no Labrador, onde os montes Churchill alcançam altitudes de dois mil metros.
Essa região apresenta uma topografia muito plana, com suaves colinas separadas por baixadas pontilhadas de pântanos e lagos (Urso, Escravo, Atabasca e Winnipeg).
Grandes planícies
Região de transição entre o escudo e as montanhas Rochosas, as grandes planícies são também conhecidas como pradarias, pela profusão da cobertura vegetal do tipo herbáceo. São formadas por terrenos sedimentares das eras mesozóica e cenozóica, que repousam sobre a plataforma continental. A região sofreu vários ciclos de erosão, dos quais o mais importante foi o glacial, que provocou mudanças na rede hidrográfica, cavou depressões onde se alojaram lagos e trouxe sedimentos que constituíram solos férteis. Apresenta um modelado em cuestas, devido à erosão sobre estratos inclinados. Essas cuestas formam três tabuleiros inclinados de oeste para leste: a pradaria baixa, a oeste de Manitoba; a pradaria média, ao sul do rio Saskatchewan; e a pradaria alta, na província de Alberta. A planície do rio Mackenzie prolonga até o norte essa paisagem, que acaba numa superfície totalmente horizontal e permanentemente gelada.
Seção atlântica
As regiões mais populosas do país, situadas entre o rio São Lourenço e o oceano Atlântico, acrescidas dos prolongamentos insulares, constituem a seção atlântica. Erguidas durante a orogenia herciniana (era paleozóica), as rochas cristalinas (gnaisses e granitos) sofreram intenso desgaste no período cretáceo e foram fossilizadas por materiais sedimentares, depois das transgressões marinhas. A orogenia terciária dobrou os estratos sedimentares, enquanto a repetição da erosão (fluvioglacial) sobre materiais alternadamente duros e moles deu lugar à modelagem do tipo apalachiano (relevo de cristas paralelas separadas por vales alongados). Ainda assim, como conseqüência de grande submersão tectônica, formou-se uma costa de rias.
Grandes cordilheiras
O extremo oeste do Canadá é percorrido de norte a sul por duas cadeias de montanhas separadas por uma meseta: as montanhas Rochosas e a cordilheira Costeira. A largura desta seção montanhosa oscila entre 500 e 900km. As montanhas Rochosas, na borda oriental, levantam-se bruscamente por sobre as pradarias. Formam-se de rochas sedimentares interrompidas por afloramentos da plataforma continental. O pico principal se encontra no monte Robson (3.954m), a oeste de Edmonton. A erosão glacial do período quaternário deu lugar a um relevo muito acidentado, de formas bem recortadas, e cavou profundos vales atualmente cortados por rios como o Kootenay, o Columbia e o Fraser.
Junto às costas do Pacífico se levanta a cordilheira Costeira, erguida no período terciário. Apresenta as maiores elevações do Canadá na região norte, onde se encontra o monte Logan (6.050m). Em direção ao sul divide-se e perde altitude (4.042m no monte Waddington). Uma terceira cordilheira, em parte submersa, emerge no arquipélago de Alexandre, no Alasca, e nas ilhas canadenses de Vancouver e Rainha Carlota. Fechadas entre as Rochosas e a cordilheira Costeira, encontram-se as acidentadas mesetas de Yukon ao norte e Fraser e Columbia ao sul, com mais de dois mil metros de altitude em alguns pontos.
Clima
Predomina o clima continental, ainda que, devido às dimensões do território, também ocorram o oceânico e o polar. Em sua maior parte, o Canadá é um país frio, com inverno longo e rigoroso. Dois fatores influem no clima canadense: o efeito de barreira das cordilheiras da costa oeste, que obstruem a ação moderadora do oceano, e a modéstia do relevo ao norte, o que permite a livre penetração dos ventos polares.
A costa do Pacífico possui o clima mais ameno do Canadá, devido à influência oceânica e aos ventos do oeste. As precipitações são abundantes durante todo o ano (1.500mm em Vancouver), enquanto as temperaturas oscilam entre -3o C em janeiro e 15o C em agosto. Na região norte o clima é polar, com temperatura média anual de -5o C.
O restante do território é submetido a um regime anticiclônico dominante, que determina um clima continental com invernos extensos e muito rigorosos, sobretudo no centro (-20o C em Winnipeg), verões frescos e precipitações que não superam 700mm. O rigor do vento é amenizado aos pés das Rochosas, já que o vento chinook se aquece ao descer pela vertente oriental da cordilheira. Isso explica que em Calgary, Alberta, o mês mais frio não chegue a -10o C.
Hidrografia
As águas interiores, lagos e rios, ocupam vasta superfície e são empregadas como fontes de energia e vias de comunicação. Entre os lagos, de origem glacial, destacam-se o Grande Lago do Urso, o Grande Lago do Escravo, o Atabasca e o Winnipeg, todos entrelaçados por cursos fluviais. Os lagos Superior, Huron, Erie e Ontário servem de fronteira natural com os Estados Unidos.
A rede hidrográfica é muito densa. As montanhas Rochosas fazem o papel de divisor de águas. Assim, os rios que desembocam no Pacífico são curtos e torrenciais, com exceção do Columbia e do Fraser, enquanto os que nascem na vertente oriental e desembocam no Ártico são extensos, como o Mackenzie. Por sua importância econômica, o principal rio é o São Lourenço, que percorre mais de 1.300km desde a nascente no lago Ontário até a foz no golfo de São Lourenço. São freqüentes os rápidos e cascatas, como as cataratas do Niagara, entre o lago Ontário e o Erie. O rigor do clima faz com que muitos rios permaneçam gelados durante o inverno.
Flora e fauna
O solo e o clima propiciam três grandes áreas vegetais no Canadá: a tundra, a floresta boreal e a pradaria. A tundra cobre mais de um terço do território do Canadá, a partir dos 60o de latitude. É uma vegetação composta de musgos e liquens, entremeados de pântanos e turfeiras.
A floresta boreal, bastante densa, é dominada por coníferas como lariços, abetos e pinheiros, sob as quais crescem espécies lenhosas. Estende-se da bacia média do Mackenzie até o São Lourenço e Terra Nova. Na transição para as pradarias, ao sul, se mescla de árvores caducifólias como o carvalho e sobretudo o bordo (maple), cuja folha é símbolo nacional, presente na bandeira do país. A floresta do Pacífico, onde também dominam as coníferas, mantém aspecto boreal: ao norte, aparecem o pinheiro Sitka e o abeto Douglas e, ao sul, a tuia.
As pradarias, ou campos, praticamente sem árvores, ocupam menos espaço que as outras formações, mas são economicamente mais significativas, com sua vasta cobertura de gramíneas, cujos restos apodrecidos, acumulados ao longo dos séculos, formaram um humo negro de grande fertilidade. A sudoeste do Saskatchewan, onde ocorrem menos precipitações, a pradaria se degrada e dá lugar à estepe.
A fauna do Canadá é característica de um país muito frio. Ao norte vive a estranha espécie dos bois-almiscareiros (Ovibos moschatus), assim como renas, caribus, ursos-brancos, raposas polares, focas, lobos e doninhas árticas. No sudoeste, a espécie mais característica é o cervo-de-cauda-branca. Os lemingos, pequenos roedores, são alimento do arminho, da raposa e até dos lobos.
O búfalo e o bisão, que existiam em imensas manadas pelas pradarias, são encontrados apenas nos parques nacionais, como o de Wood Buffalo. Na floresta boreal vivem castores, esquilos e marmotas. Nas montanhas Rochosas há cabras brancas, caribus de montanha e ursos-negros. Entre as aves destacam-se os gaios, os gansos canadenses, as águias douradas e as gaivotas. Na segunda metade do século XX o Canadá se distinguia por sua ativa consciência ambiental e exercia intensa política de preservação da natureza, valendo-se de moderna tecnologia.
População
As principais características da população canadense são sua diversidade étnica (como toda nação jovem, sua população é fruto de sucessivas imigrações) e sua baixa densidade.
População autóctone. Quando chegaram os primeiros colonizadores europeus, a população do Canadá era composta por índios -- algonquinos, iroqueses (aparentados com os huronianos) e sioux, entre outros -- e esquimós. Com a colonização, o número de indígenas, estimado em 230.000, reduziu-se bastante, mas depois voltou ao mesmo patamar, que se mantém estável. Até a segunda metade do século XX as comunidades indígenas não se incorporaram às atividades econômicas do país e conservaram seus traços culturais quase inalteráveis.
A população esquimó, muito escassa, se manteve em torno de vinte mil pessoas desde a colonização no século XVI. Os esquimós sempre viveram da caça e da pesca. Sua incorporação à sociedade nacional começou na década de 1960, de maneira lenta mas contínua.
Imigrações. Assentada na costa atlântica e no vale do São Lourenço, até o século XIX a população branca, majoritariamente francesa, era reduzida. Durante o século XIX, a imigração européia, sobretudo britânica, converteu o Canadá em país multicultural. Em 1867, quando se criou a confederação das colônias, o grupo mais compacto era o francês. Os anglo-saxões, ainda que superiores em número, constituíam comunidades separadas de ingleses, irlandeses e escoceses.
Desde o final do século XIX a carência de mão-de-obra, inicialmente para colonização das pradarias e, depois da primeira guerra mundial, para atender à demanda industrial, levou o governo a favorecer a imigração, só interrompida durante as guerras mundiais e a crise de 1929. Os imigrantes eram de procedência muito diversa: durante a metade do século XX, foram na maioria escandinavos e da Europa central, mas após a segunda guerra mundial passaram a vir sobretudo do sul da Europa, principalmente Portugal, Itália e Grécia. A variada imigração explica a presença de cerca de sessenta grupos étnicos, de forma que quase uma terça parte da população não é de origem nem francesa, nem britânica.
Idiomas
A questão lingüística foi sempre um dos grandes problemas do país, a ponto de haver fortes tendências para uma cisão, entre as décadas de 1960 e 1970. A pressão da comunidade francesa levou o Parlamento federal a reconhecer, em 1969, o francês e o inglês como línguas oficiais. Cerca de 25% da população fala o francês, majoritariamente na província de Québec, e de forma residual em Nova Brunswick, Manitoba e Ontário.
Entretanto, a proporção dos canadenses de língua francesa diminuiu, devido à adoção do inglês pela maior parte dos imigrantes. O traço bilíngüe, portanto, desequilibra-se cada vez mais em favor do inglês: no fim do século XX, por exemplo, para cem jornais editados em língua inglesa havia somente dez em francês. Os grupos indígenas continuam a utilizar seus idiomas nativos.
Demografia
O rápido crescimento da população canadense desde o século XIX se deve não só à imigração, mas também às altas taxas de natalidade. Apesar desse intenso crescimento (de sete milhões de habitantes em 1911 a mais de trinta milhões no início da década de 1990), o país continua pouco povoado: sua densidade demográfica, em meados da década de 1990, era de três habitantes por quilômetro quadrado.
A população também se distribui de forma muito irregular. Cerca de noventa por cento dos canadenses se concentram em 12% da superfície do país, sobretudo no sul, na região fronteiriça com os Estados Unidos. O vale do São Lourenço, a zona meridional dos grandes lagos, e a Colúmbia Britânica são as áreas populosas. Ao norte da linha Prince Rupert-Edmonton-Winnipeg-Québec o povoamento mostra-se parco e disperso, ainda que se tenham criado algumas zonas de colonização em regiões de copiosos recursos minerais (vale do rio Churchill e lago do Urso).
Cerca de oitenta por cento da população canadense vive em cidades. Destacam-se as aglomerações urbanas de Toronto, Montreal e Vancouver, importantes centros industriais, comerciais e financeiros, e Ottawa, centro administrativo do país. São cidades modernas e confortáveis, com serviços de primeira ordem, as duas primeiras servidas de metrô.
Economia
A tradicional produção agrícola, florestal e mineral do Canadá passou a ser complementada, na segunda metade do século XX, graças a amplos investimentos estrangeiros, com um vigoroso e diversificado parque industrial. No entanto, a necessidade de controlar o capital estrangeiro, cujos investimentos passavam de oitenta por cento em alguns setores estratégicos (indústrias químicas, siderúrgicas e de transformação), levou o governo, em 1973, a colocar tais investimentos sob controle estatal.
Agricultura, pecuária, extrativismo e pesca. Foi no setor primário que o Canadá obteve a maior parte de seus recursos econômicos até meados do século XX. A importância da produção agrícola no conjunto da economia começou a diminuir a partir de meados da década de 1950. Por causa do clima frio, da extensão das florestas e da qualidade dos solos, apenas cinco por cento do território são agricolamente aproveitáveis. As principais províncias agrícolas são as localizadas nas pradarias: Alberta, Manitoba e Saskatchewan.
Em tais regiões, as propriedades oscilam entre 100 e 160 hectares e são exploradas com as técnicas mais avançadas (em termos de instalações, maquinaria e fertilizantes), em geral pelos próprios donos e suas famílias, pois é muito reduzida a oferta de mão-de-obra para a lavoura.
Os cereais constituem a cultura predominante, especialmente o trigo duro, de excelente qualidade. Parte da colheita é exportada, e Winnipeg é o principal mercado de trigo. Diretamente ligada ao progresso da pecuária, a cultura de aveia para forragem estende-se, sobretudo, pelas pradarias e fazendas de produção integrada ao longo do rio São Lourenço. A cevada e o milho também tiveram crescimento contínuo desde a década de 1940. São cultivados nas áreas ribeirinhas do São Lourenço e ao sul de Ontário.
Os inconvenientes da monocultura cerealista levou o governo do Canadá, no começo da segunda metade do século XX, a subvencionar a diversificação agrícola mediante programas específicos. Batatas, sementes oleaginosas, legumes, beterraba, hortaliças e frutas, em proporção cada vez maior, cobrem as necessidades do consumo interno.
A partir da segunda guerra mundial caíram gradualmente os rebanhos de ovinos e eqüinos e cresceram os suínos e bovinos, sendo estes últimos divididos em dois grupos: uma criação extensiva voltada para a produção de carne (nas terras marginais às pradarias e na meseta de Fraser); e uma outra intensiva, sobretudo em Ontário e sempre perto das grandes cidades, com o objetivo de atender à procura de leite e laticínios.
Inicialmente, a exploração das riquezas florestais (madeira e peles de animais) foi o grande propulsor da penetração européia no Canadá. A caça já não é atividade significativa, nem se usam os antigos métodos: há uma rigorosa legislação conservacionista e a obtenção de peles é da responsabilidade de fazendas que se dedicam à criação de animais específicos, como a raposa, a marta, o castor, a lontra, o rato-almiscareiro e especialmente o vison, que concentra mais da metade do valor do comércio de peles canadense. Montreal é um dos principais mercados do produto em todo o mundo.
A madeira é extraída e exportada desde o princípio da colonização. A partir do século XX, passou-se a fabricar também pasta de papel, de que o Canadá é dos primeiros produtores do mundo, tanto em volume como em qualidade. Há uma severa regulamentação do corte e plantio florestal, e as reservas mais importantes de madeira situam-se na Colúmbia Britânica.
Os 48.000km do litoral canadense dão uma idéia do potencial pesqueiro do país. Na costa atlântica, onde o plâncton é abundante, há cardumes de bacalhau, cavala, sardinha e outros peixes; nas costas meridionais do golfo de São Lourenço, captura-se sobretudo a lagosta, ainda que na Colúmbia Britânica se pesquem o salmão e o arenque, itens mais importantes da exportação de pescado.
Mineração e fontes de energia. O Canadá é muito rico em recursos minerais e, da segunda guerra mundial em diante, a produção do setor cresceu em progressão geométrica. Muitas de suas jazidas, porém, são de difícil exploração, pois se encontram abaixo de superfícies permanentemente geladas. Desde a década de 1970 os esforços do governo se encaminham no sentido de facilitar a rentabilidade da extração de tais recursos.
Os resultados já atingidos são imensos. O país é um dos maiores produtores mundiais de níquel, zinco, urânio, cobre, molibdênio, prata, ouro, ferro, chumbo, cobre e cobalto. São também expressivas as fontes de energia. A produção e o consumo de carvão apresentam uma peculiaridade: o carvão de Alberta e Saskatchewan é exportado para o Japão, enquanto as necessidades das indústrias de Ontário e Québec são satisfeitas com a importação de carvão dos Estados Unidos que, transportado através dos Grandes Lagos, custa menos que o nacional.
O setor de hidrocarbonetos cresceu notavelmente desde a década de 1940. Mais de oitenta por cento do gás natural e do petróleo se acham na província de Alberta e são transportados para as regiões industriais do sudeste por oleodutos e gasodutos. Embora os recursos hidrelétricos sejam abundantes em todo o Canadá, cerca da metade da energia gerada procede da província de Québec, que possui um dos maiores complexos hidrelétricos do planeta, o de Manocouagen-Outardes.