Em 1923, Saud decretou a criação do Reino da Arábia Saudita, no qual se unificavam Najd e Hedjaz, além dos emirados de Asir, Hasa e Nairan. Nos dois anos seguintes foram fixadas as fronteiras com a Jordânia e o Iêmen. Com a descoberta do petróleo, Saud tornou-se, além de soberano independente, um dos homens mais ricos do mundo, pois lhe cabiam cinqüenta por cento da receita do petróleo.
Durante a segunda guerra mundial, a Arábia Saudita manteve-se neutra, embora favorável aos aliados. Saud contribuiu para a criação da Liga Árabe e, em 1948, participou da primeira guerra árabe-israelense.
Saud morreu em 1953 e assumiu o trono seu filho, também Saud, que deu continuidade à política conservadora de seu antecessor e transferiu o poder executivo ao irmão, Faiçal, durante vários períodos.
Faiçal, mais progressista, promulgou em 1958 uma constituição, que nunca foi aplicada, e aboliu a escravidão em 1962. Depois de um golpe palaciano que derrubou Saud, Faiçal foi coroado rei em 1964. No ano seguinte, entrou em conflito com o Egito, que apoiava os republicanos iemenitas, enquanto a Arábia Saudita apoiava os monarquistas, mas um acordo pôs fim às divergências.
A política de Faiçal obedeceu a três linhas gerais: a modernização do país sem abandono da ortodoxia religiosa; o fortalecimento da aliança militar com os Estados Unidos, cujo governo pretendia consolidar o controle sobre o Oriente Médio por meio de uma aliança com um país moderado; e o apoio a um movimento de união entre os países árabes.
A Arábia Saudita interveio nas guerras árabe-israelenses de 1967 e 1973 e liderou o boicote dos países produtores de petróleo aos estados que apoiaram Israel. Em 1975, Faiçal foi assassinado e seus sucessores, Khaled ibn Abdul Aziz e Fahd, este coroado em 1982, adotaram uma política conservadora pró-Ocidente.
Em 1990, quando o exército iraquiano invadiu o Kuwait, o governo saudita solicitou a ajuda internacional para se proteger de uma possível expansão do Iraque e cedeu seu território à coalizão de forças lideradas pelos Estados Unidos.
Instituições políticas
A lei islâmica é não só um sistema legal, mas um código completo de comportamento, que engloba atividades públicas e privadas. O rei nomeia o conselho de ministros, que ele mesmo preside, exercendo assim a função de primeiro-ministro.
A nação se divide, administrativamente, em grandes províncias, das quais as mais importantes são Najd (ou Nejd), que inclui a maior parte do interior e a capital; Hedjaz, que se estende ao longo do mar Vermelho e inclui as cidades santas de Meca e Medina e o principal porto do país, Djeda; Asir, no sudoeste; e a província Oriental, ao longo do golfo Pérsico, onde se localizam os principais poços petrolíferos.
Sociedade e cultura
A sociedade saudita conserva até a atualidade a tradicional divisão em nômades, aldeões e habitantes das cidades, dentro de uma estrutura tribal comum, baseada na linhagem patrilinear. Apesar disso, a modernização econômica e a urbanização decorrentes da exploração do petróleo trouxeram importantes mudanças para a composição social e as formas de vida do povo saudita.
A riqueza advinda do petróleo permitiu o estabelecimento de um sistema educativo gratuito em todos os níveis. Os índices de analfabetismo, tradicionalmente altos, diminuíram de modo significativo. A primeira universidade foi fundada na capital, em 1957; na década de 1960, instalaram-se outras em Djeda e em Medina.
Foi implantado um sistema de saúde com hospitais e serviços médicos móveis para atender à população aldeã e nômade. Criaram-se também postos de educação sanitária.
A tradição nômade e islâmica do povo saudita determina toda a atividade cultural do país, fechado a influências externas. Os estudos religiosos, baseados na ortodoxia wahabita, são à base da atividade intelectual. O wahabismo proíbe espetáculos públicos, mas as mudanças econômicas e sociais favoreceram a divulgação de novas idéias e manifestações artísticas.
A Arábia Saudita é um reino de caráter absolutista e teocrático. A ordem do estado se baseia na lei religiosa do Islã (charia), base do direito civil e penal. O rei concentra os poderes executivo, legislativo e judiciário e sua autoridade se estende ao campo religioso, pois o monarca é também o imã (chefe religioso). Um conselho consultivo, formado pelo conselho de ministros e pela família real, mais os ulamas (sábios religiosos) assessoram o rei em suas decisões políticas.
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