Topo
pesquisar

Excelência, A escola vai mal

Educação

PUBLICIDADE

O termo escola vem do grego "schole" e quer dizer: lazer consagrado ao estudo. Pela definição, a escola deveria ser um lugar muito atraente e agradável, pois lazer quer dizer descanso e consagrado, por sua vez, é um adjetivo que qualifica o que é sagrado, o que é santo. No entanto, na escola de nossos dias, de sagrado mesmo só existe a abnegação dos professores.

Há poucos dias, fui gentilmente convidado para palestrar com alguns alunos da oitava série de determinado Colégio público desta cidade de Arraial do Cabo. Cujos nomes da escola e de quem me convidou podem ser omitidos, isso é irrelevante. Mas, o fato é que, sem hesitar, aceitei o convite. Eu estava ansioso para conhecer a reação dos jovens diante de quem, modéstia à parte, traz uma gama de experiência colhida nos bancos escolares, como aluno por longos anos e, depois, como lecionista.

Ao me apresentar na escola, para a palestra, fiquei um tanto apreensivo. Sinceramente, fiquei receoso de ser encurralado por aquelas perguntas que costumam nos embaraçar, mas correu tudo bem. Os alunos não me fizeram nenhuma pergunta. Não obstante, viam-se na face da cada aluno as marcas da desilusão e da descrença. Moços e moças pareciam estar diante de um conto da fadas, quando abordamos o perfil do progresso que a escola nos proporciona. Que a escola premia todos aqueles que se dedicam aos estudos, na busca de conhecimento e sabedoria.

Os jovens alunos permaneceram impassíveis, indiferentes. Pareciam não acreditar no que dizíamos. Em cada rosto adolescente, brilhavam olhos tristes, alguns lacrimejantes, sem reverberar a luz do futuro; outros revelavam a desesperança de realizar os seus sonhos, conotando a idéia de fragilidade para encarar o efeito atroz do ensino retrógrado.

Sobre a "carteira escolar", estavam alguns livros fechados, talvez humilhados por trazerem nas suas páginas ensinamentos inúteis que não traduzem o real desejo do jovem de hoje. As canetas não foram vistas sobre as "carteiras", possivelmente elas tenham se escondido, envergonhadas pelas garatujas que traçam sem desenhar as marcas do verdadeiro caminho da educação e da compreensão superior do mundo e da vida, que é a sabedoria. As borrachas estavam lá! Algumas saltitantes, conscientes de que é preciso se movimentar para deslustrar, para apagar, os métodos arcaicos do ensino e introduzir processos novos e revolucionários para atender à nossa realidade.

Os professores foram vistos, todos trabalhando, alguns falando alto, muito alto, o que é compreensível. Há um provérbio que nos aconselha a falar alto e em bom som. Esta é uma forma de animar, de despertar, de incitar, de comandar e até mesmo uma maneira de acordar os que dormitam. Será que os gritos dos mestres são para acordar os alunos ou os responsáveis pela diretriz da educação? Sinceramente, não sei! Não estariam os professores, com seus brados, sufocando os seus gemidos? Os gemidos de sua própria alma, que chora o desamparo, que lamenta o desprezo do poder público às causas nobres do ensino? Não seriam esses gritos a lamúria de quem assumiu o divino sacerdócio de ensinar e vê-se impedido de fazê-lo, por falta de recurso, por falta de consciência dos dirigentes deste País, deste Estado, deste Município? É bem possível que sim!

Todos sabemos que a obra mais edificadora é a que se realiza em prol da educação. As escolas formam o caráter e a personalidade de um povo, podendo, se bem planejada, oferecer as bases necessárias para o triunfo do indivíduo e, em caso contrário, pervertê-lo para sempre. Por isso, nossas escolas precisam ser reformuladas através de planos lúcidos e lógicos. Por meio de plena e consciente articulação de planejamento adaptado à realidade de nossos dias.

Por tudo isso, EXCELÊNCIA, as nossas escolas pedem socorro. Os professores pedem apoio. Os alunos pedem mudanças. Que o socorro, o apoio e as mudanças venham o mais depressa possível. É o que todos esperam. E que o talento tenha primazia sobre as vaidades e as idéias vãs, EXCELÊNCIA.

Por Wenceslau da Cunha

Educação - Brasil Escola

DEIXE SEU COMENTÁRIO
  • Letíciaquarta-feira | 09/07/2014 07:47Hs
    Desculpe-me a franqueza, mas discordo quando o texto cita "divino sacerdócio". É uma profissão e, como tal, gera salário. É uma fonte de renda, como outra qualquer. O profissional não sobrevive das contribuições das pessoas, ele tem contrato, carteira de trabalho, férias, rendimentos etc. É justo que a categoria reivindique seus direitos, como qualquer outra classe profissional. Quando se fala em sacerdócio tem-se a impressão de que professor é um ser altruísta, abnegado. Há casos, sim, e esses merecem nossos aplausos. Mas a maioria que se vê hoje em dia é composta de "profissionais" (quando o são) indiferentes, que exercem abuso da autoridade, arrogantes e de conduta no mínimo questionável. Digno é o trabalhador do seu salário...
  • quarta-feira | 09/04/2008 11:03Hs
    Realmente a Escola n
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Cursos Brasil Escola + DE 1000 OPÇÕES >> INVISTA EM SUA CARREIRA! <<
AULAS AO VIVO DO ENEM
AULAS AO VIVO DO ENEM
12x R$ 20,83

sem juros

COMPRAR
Motivação a Leitura e a Escrita
MOTIVAÇÃO A LEITURA E A ESCRITA
12x R$ 6,66

sem juros

COMPRAR
PORTUGUÊS PARA O ENEM
PORTUGUÊS PARA O ENEM
12x R$ 10,83

sem juros

COMPRAR
Conteúdos exclusivos sobre química
CURSO DE QUÍMICA
12x R$ 10,83

sem juros

COMPRAR
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
R7 Educação