São doenças causadas por bactérias transmitidas ao ser humano, principalmente pela água e pelos alimentos contaminados. As condições socioeconômicas que resultam, muitas vezes, na falta de higiene e nas precárias instalações sanitárias são os principais fatores que contribuem para que grande parte de nossa população adquira estas doenças.
Estas moléstias infecciosas têm vários agentes etiológicos, porém vamos nos ater aos principais que são a disenteria bacilar, causada por bactérias do gênero Shigella, e a gastroenterite (também chamada intoxicação alimentar), causada pelas bactérias do gênero Salmonella.
A disenteria alimentar é a mais grave das infecções disentéricas. As bactérias costumam se alojar e proliferar no intestino grosso e no íleo, de onde as toxinas atingem todo o organismo. O período de incubação é de doze horas a seis dias.
Os primeiros sintomas são as dores abdominais ou cólicas, com intensa vontade de evacuação, sensação de peso na região anal; fezes semi-sólidas no início e, posteriormente, líquidas com muco, pus e até sangue, nos casos mais graves. Falta de apetite, mal-estar, desconforto abdominal e febre de até 39º e acentuada perda de água e sais resultantes de sucessivas evacuações (até 40 por dia) de que a náusea e os vômitos impedem a reposição. Nas crianças, a disenteria bacilar pode ser extremamente grave.
Na gastroenterite, as bactérias se instalam nas regiões mais altas do sistema nervoso, afetando o estômago e o intestino delgado. Pode ocorrer septicemia, isto é, as bactérias invadem a corrente circulatória e atingem outros órgãos do corpo.
O quadro sintomatológico é muito semelhante ao da disenteria bacilar. As crianças, principalmente durante o primeiro ano de vida, são as principais vítimas.
Uma bactéria muito importante sob o ponto de vista epidêmico é a Salmonella typhi, agente etiológico da febre tifóide, doença comum em casos de chuvas torrenciais ou enchentes que acabam poluindo os reservatórios de água e de alimentos. Os principais sintomas são: febre, dores musculares, falta de apetite, diarréia e manchas vermelhas na pele.
Profilaxia e Tratamento
As medidas profiláticas contra estas doenças estão no tratamento da água, proteção de poços e cisternas evitando a contaminação, no uso de água filtrada ou fervida, na instalação de fossas ou rede de esgotos, na fiscalização das fontes de alimentos, nas campanhas educativas de higiene pessoal, etc.
O tratamento específico requer, geralmente, o emprego de antibióticos ou derivados das sulfas.
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