Pertencem a este Filo oito grupos de animais que são motivo de controvérsia entre zoólogos, pois muitos os considerem como filos independentes, e outros, como classes do Filo dos asquelmintes (grego: askos = cavidades; helmintes = vermes), originalmente, aschelminthes.
Destes seis grupos, o que apresenta um interesse especial, por ser extremamente numeroso, é a Classe Nematoda, em que cerca de 45 espécies parasitam o homem.
Os nematóides são animais de corpo alongados, cilíndricos (fusiforme ou filiforme), não segmentado, revestido por cutícula resistente. Apresentam, geralmente, dimensões reduzidas; alguns são microscópicos enquanto outros podem atingir até um metro de comprimento. A maioria das 12 000 espécies conhecidas é de vida livre, encontrada na terra, mar e água doce. Muitos são parasitas de vegetais e animais, inclusive do homem; os outros são predadores.
Os nematóides representam o segundo grupo de metazoários mais numerosos em indivíduos, sendo inferiores apenas aos artrópodes. O Hterodera sp., por exemplo, é um verme microscópico que vive no solo e é encontrado em número de 35 bilhões de indivíduos por acre.
Os asquelmintes, assim como os platelmintes, também são triblásticos, protostômios e de simetria bilateral. No entanto, apresentam-se mais evoluídos, pois desenvolveram um sistema digestório completo, com boca e ânus. Possuem, também, uma cavidade geral distinta da cavidade digestiva. Esta cavidade, por não estar completamente forrada pela mesoderme, é denominada pseudoceloma. Os asquelmintes são os únicos animais pseudocelomados da escala zoológica.
Estrutura dos Asquelmintes
Tegumento
O corpo dos animais é revestido por uma epiderme de natureza sincicial, recoberta por uma cutícula lisa e pouco elástica, secretada pela epiderme subjacente. O crescimento do animal acontece mediante mudas regulares da cutícula (ecdises).
Sustentação e Locomoção
Os asquelmintes não possuem esqueleto e a sua sustentação é parcialmente realizada pela cutícula. A musculatura é formada apenas por uma camada de músculos longitudinais, localizada logo abaixo do tegumento. Esta única camada muscular limita os movimentos do corpo a apenas algumas flexões. É curioso como certas fibras musculares podem emitir projeções em direção às células nervosas. Nos outros filos animais, observa-se o contrário, um nervo emitindo ramificações em direção às fibras musculares.
Nutrição e Digestão
São os primeiros animais da escala zoológica a apresentarem um sistema digestório do tipo completo, constituído por boca (na extremidade anterior), faringe, esôfago, intestino e ânus (na extremidade posterior).
Na boca, podem existir papilas ou lábios (Ascaris), ganchos ou lâminas (Necator), dentes córneos (Ancylostoma) para melhor fixação no hospedeiro e perfuração dos seus tecidos.
Nos animais de vida livre, a digestão é extracelular; já nos parasitas, a principal função do intestino é a absorção, uma vez que o alimento ingerido já está digerido, pelo menos parcialmente, pelo hospedeiro.
Circulação e Respiração
Os asquelmintes não possuem sangue nem tampouco sistema circulatório. Os nutrientes absorvidos são transportados até as células, pelos líquidos presentes no interior da cavidade pseudocelomática.
Na estrutura dos asquelmintes também não existe sistema respiratório. Os fenômenos da respiração ocorrem por difusão direta dos gases, ao longo de toda a extensão do tegumento. Algumas espécies parasitas podem apresentar respiração anaeróbia facultativa.
Excreção
O sistema excretor é do tipo tubular em H. Existem dois tubos que correm ao longo das linhas laterais. Na região anterior, eles se unem e formam um único tubo, que se abre na linha mediana ventral. As paredes do tubo absorvem, por difusão, os catabólitos (principalmente amônia e, em alguns, também a uréia) e, por omose, o excesso de água, que são encaminhados para o exterior, através do poro excretor, situado na face ventral do corpo.
Sistema Nervoso
Apresenta um anel periesofagiano (ao redor do esôfago), de onde partem seis cordões nervosos anteriores "curtos" e seis ou oito cordões nervosos posteriores "longos" (o dorsal e o ventral são os mais desenvolvidos). Há também diversos gânglios de onde saem feixes nervosos que vão inervar os diferentes órgãos.
Reprodução
São animais predominantemente dióicos e com dimorfismo sexual. A fecundação é interna e o desenvolvimento indireto, com diferentes estágios larvais.
Os machos, em comparação com as fêmeas, possuem vida curta, são menos numerosos, menores e possuem a extremidade posterior em espiral ou com uma dilatação: a bolsa copuladora. Os machos podem ainda apresentar órgãos acessórios da cópula (todos para fixação durante o coito: duas glândulas de cimento, que se abrem no canal ejaculador, e espículas, de natureza quintinosa). Os ovos são bastante numerosos e revestidos de quitina, o que permite a sua viabilidade por longos períodos no ambiente.
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